INSS
Gaspar afirma que CPMI vai aprofundar investigações sobre consignados
Relator aponta identificação de fraudes, empresas suspeitas e obstáculos nas investigações
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS deve ampliar, neste ano, as investigações sobre irregularidades envolvendo empréstimos consignados concedidos a aposentados e pensionistas. Após três meses de atuação em 2025, o colegiado agora se prepara para uma nova etapa de apuração, com foco em aprofundar a identificação de fraudes e responsabilizar os envolvidos.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que irá apresentar requerimento para prorrogar os trabalhos por mais dois meses. A CPMI foi instalada em 20 de agosto e, até o momento, realizou 28 reuniões — sendo duas destinadas exclusivamente à votação de requerimentos e as demais voltadas à oitiva de testemunhas.
Ao todo, 26 pessoas foram ouvidas, 4.800 documentos oficiais analisados, 48 quebras de sigilo aprovadas e 108 empresas consideradas suspeitas identificadas. Segundo dados consolidados pela comissão, mais de R$ 1 bilhão em movimentações financeiras incompatíveis já foi mapeado durante as investigações.
O relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), afirmou que os trabalhos permitiram identificar estruturas organizadas voltadas à prática de fraudes contra aposentados e pensionistas. De acordo com ele, houve individualização de responsabilidades e rastreamento de fluxos financeiros ligados às irregularidades.
“Houve identificação e responsabilização individualizada de várias células de organizações criminosas. Também foi possível mapear o caminho percorrido pelo dinheiro. Em relação às interrupções ou obstáculos às investigações, infelizmente o governo blindou algumas pessoas, entre elas o próprio Lulinha, que poderia levar à identificação de parte dos recursos desviados”, afirmou o parlamentar em entrevista à Francês News.
Segundo Gaspar, o objetivo central da CPMI é oferecer respostas concretas à sociedade. “É uma obrigação do Parlamento dar respostas sérias diante do tamanho do roubo efetivado contra aposentados e pensionistas”, afirmou. Com a possível prorrogação dos trabalhos, a expectativa é que a comissão aprofunde a apuração sobre contratos de crédito consignado, responsabilidades institucionais e a atuação de empresas envolvidas nos esquemas investigados.



