crise internacional

Prisão de Nicolás Maduro por forças dos EUA divide senadores brasileiros

Governistas condenam ação militar e apontam violação do direito internacional; oposição comemora
Por Redação 06/01/2026 - 06:17
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© Foto / Twitter / Chancelaria da Venezuela
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado, 3, durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, provocou forte repercussão no Senado brasileiro. Nas redes sociais, parlamentares governistas manifestaram preocupação com o que classificam como violação da soberania venezuelana e risco de precedentes perigosos para a estabilidade regional, enquanto senadores da oposição celebraram a ação e afirmaram esperar a reconstrução do país por meio da democracia.

Entre aliados do governo, a avaliação predominante foi de repúdio à intervenção estrangeira. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que a comunidade internacional deve atuar para preservar a soberania da Venezuela e evitar que ações semelhantes se repitam na América Latina. Para ele, a operação fere normas internacionais e estaria relacionada a interesses estratégicos na região.

O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a iniciativa dos EUA como ameaça à paz mundial e ao multilateralismo, enquanto Renan Calheiros (MDB-AL) disse não haver justificativa plausível para o ataque, defendendo uma condenação enfática por organismos internacionais. Já a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) alertou para o “precedente perigoso” criado pela ação, destacando que, embora o Brasil não reconheça a vitória de Maduro nas eleições de 2024, a intervenção não teria ocorrido em nome da democracia.

Na oposição, o tom foi de comemoração. O líder oposicionista Rogério Marinho (PL-RN) defendeu que a política externa brasileira seja guiada pela defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade. O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) parabenizou o presidente norte-americano Donald Trump e afirmou que a captura de Maduro representa um enfrentamento a uma ditadura que teria gerado instabilidade regional. Marcos Rogério (PL-RO) disse esperar que a queda do presidente venezuelano marque o início de uma transição para a liberdade no país.

Outros senadores ressaltaram a complexidade do cenário internacional. Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que não há vencedores na crise e que a diplomacia é o único caminho possível. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), avaliou que tanto Maduro quanto Trump estariam errados, ao citar fraudes eleitorais e o uso da força contra a soberania nacional.

Diante da escalada da crise, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado divulgou nota informando acompanhar com preocupação a situação na fronteira brasileira com a Venezuela e a condição de brasileiros no país vizinho. O presidente do colegiado, Nelsinho Trad (PSD-MS), não descartou a convocação de reuniões extraordinárias para tratar dos desdobramentos de curto, médio e longo prazos.

A operação militar elevou a tensão geopolítica na região. Após a captura de Maduro e Cilia Flores, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, foi declarada presidente interina pelo Supremo Tribunal do país. 


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