POLÍTICA
Haddad avalia deixar o governo até fevereiro e acende alerta no Planalto
Lewandowski também sinaliza saída, enquanto Lula decide mudanças na Esplanada
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avalia deixar o governo até fevereiro, segundo relatos de bastidores no Palácio do Planalto. A possível saída foi comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ocorre em meio a uma reorganização do primeiro escalão, que também envolve o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
O retorno de Lula a Brasília deve acelerar as decisões sobre mudanças na Esplanada dos Ministérios. Nos bastidores, a leitura é de que Haddad estaria disposto a permanecer no cargo até o fim de fevereiro, enquanto avalia os próximos passos políticos.
Haddad sinaliza transição na Fazenda
No Ministério da Fazenda, a expectativa é de transição no comando caso Haddad confirme a saída. O nome mais citado para assumir a pasta é o do secretário-executivo Dario Durigan. Antes mesmo de uma definição, a equipe econômica já começou a passar por alterações, como a saída de Marcos Barbosa Pinto da Secretaria de Reformas Econômicas, antes do recesso parlamentar.
Entre aliados do governo, a avaliação é de que as mudanças indicam o encerramento da agenda reformista do terceiro mandato de Lula e a transição para um perfil mais político da pasta. A possível saída de Haddad também tem impacto eleitoral: ele demonstrou interesse em atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula, mas no PT há quem avalie alternativas para 2026, como uma candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.
Lewandowski quer sair antes
Paralelamente, Ricardo Lewandowski já comunicou ao presidente, no fim de 2025, a intenção de deixar o Ministério da Justiça e reforçou o desejo de sair ainda em janeiro, preferencialmente na primeira semana. Secretários da pasta foram informados, mas a exoneração depende de decisão final de Lula.
Dentro do ministério, há divergências sobre o momento da troca. Parte da equipe defende que Lewandowski permaneça ao menos até o avanço da PEC da Segurança Pública no Congresso, que ainda enfrenta resistência e precisa ser votada na Câmara e no Senado. Interlocutores afirmam que o ministro prefere encerrar sua passagem durante os atos oficiais ligados a quinta-feira, 8, data que marca os eventos de 8 de janeiro.
Impasses e cenário político
Nos bastidores, o diagnóstico é de desgaste na condução de temas sensíveis sem sustentação política clara do Planalto, além de dificuldades de articulação com o Congresso. No PT, a possível saída de Lewandowski reacende a discussão sobre a divisão do ministério em Justiça e Segurança Pública, como resposta às cobranças do eleitorado.
Apesar das sinalizações, Lula ainda não definiu o calendário das mudanças. A expectativa é de que as decisões sejam tomadas nos próximos dias, abrindo caminho para uma reorganização política do governo em um ano decisivo.



