POLÍTICA
“Nunca pedi ao JHC que não fosse candidato”, diz Renan sobre disputa em AL
Ministro disse que não há quebra de acordo político e destacou a força do MDB no estado
O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), afirmou que nunca pediu ao prefeito de Maceió, JHC, para não disputar as eleições de 2026 em Alagoas. Pré-candidato ao governo do estado, ele disse que não há quebra de acordo político.
"Nunca pedi a ele (JHC) que não fosse candidato. Em Alagoas, o MDB tem cerca de 80 prefeituras, a maior parte da Assembleia, dois deputados federais, dois senadores, o governo do estado e o apoio do presidente Lula na eleição local. Do outro lado, é melhor que eles próprios comentem", afirmou o ministro em entrevista publicada neste domingo, 8, pelo jornal O Globo.
A fala ocorre em meio às discussões sobre o futuro político de JHC, que é citado como possível candidato ao governo ou ao Senado.
Renan Calheiros e JHC conversaram em encontro reservado
Em janeiro, o senador Renan Calheiros e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, se encontraram de forma reservada na Barra de São Miguel. À época, o jornal O Globo informou que o encontro durou mais de sete horas e o tema discutido foi a sucessão em Alagoas nas eleições 2026.
O senador teria repetido as cobranças já feitas a JHC pelo ex-ministro José Dirceu em dezembro do ano passado: o prefeito deve cumprir o acordo que fez com o governo Lula e facilitar o caminho de Renan Filho, que não quer ter concorrentes na disputa para o governo de Alagoas. A existência do acordo é negada publicamente pelas partes.
Renan Calheiros, por sua vez, não economizou nos argumentos no encontro com JHC. Segundo o jornalista Lauro Jardim, o senador disse que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) poderia investigar os R$ 97 milhões dos pensionistas de Maceió que JHC aplicou em Letras Financeiras do Banco Master, papéis que não têm garantia, caso JHC não recue da intenção de disputar o governo de Alagoas.
O acordo foi costurado no ano passado, quando JHC defendeu a indicação da então procuradora de Justiça Marluce Caldas, sua tia, para o cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça. Em troca, Lula teria solicitado o apoio do prefeito às candidaturas de Renan Filho (MDB) ao governo estadual e Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP) ao Senado em 2026.
Fontes próximas ao prefeito afirmam que o presidente não condicionou o acordo e apoio à própria reeleição. O objetivo teria sido assegurar estabilidade política em Alagoas, onde Renan Calheiros e Arthur Lira aparecem como nomes competitivos para as duas vagas ao Senado.



