saiba como funciona
Moraes autoriza Bolsonaro a realizar estimulação elétrica craniana
Terapia de neuromodulação será aplicada três vezes por semana
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja submetido ao tratamento de Estimulação Elétrica Craniana (CES, na sigla em inglês). A decisão permite que o médico Ricardo Caiado tenha acesso às dependências do 19º Batalhão da Polícia Militar, três vezes por semana, para a realização das sessões.
A Estimulação Elétrica Craniana é uma técnica de neuromodulação não invasiva que utiliza microcorrentes elétricas de baixa intensidade aplicadas por meio de pequenos clipes posicionados, geralmente, nas orelhas. O objetivo é modular a atividade elétrica cerebral e auxiliar na regulação de circuitos relacionados ao humor, ao sono e ao funcionamento do sistema nervoso. Diferentemente de medicamentos, que atuam de forma sistêmica, o método interfere diretamente nos padrões elétricos do cérebro, buscando favorecer a reorganização da comunicação entre neurônios.
De acordo com o pós-doutor em Neurociências Fabiano de Abreu Agrela, membro do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, a terapia pode contribuir para a redução de sintomas de ansiedade e depressão, além de ser empregada, no caso do ex-presidente, para amenizar crises de soluços persistentes. O soluço é provocado por contrações involuntárias do diafragma, controladas pelo sistema nervoso, e quando persiste por mais de 48 horas pode causar distúrbios do sono, perda de peso, fadiga e estresse psicológico.
Segundo especialistas, em quadros resistentes a medicamentos tradicionais, a neuromodulação tem sido estudada como alternativa complementar. Pesquisas indicam que a estimulação neural pode auxiliar na regulação dos sinais nervosos responsáveis pelas contrações involuntárias, reduzindo a frequência e a intensidade das crises. A técnica também pode influenciar neurotransmissores como serotonina e dopamina, associados à regulação do humor, da ansiedade e do sono.
O procedimento é considerado indolor, não invasivo e de baixo risco de efeitos colaterais, sendo utilizado como abordagem complementar na neurologia e na psiquiatria. Especialistas ressaltam, no entanto, que a neuromodulação não substitui tratamentos convencionais, podendo ser associada a eles conforme avaliação médica. A defesa do ex-presidente argumenta que a continuidade das sessões poderá contribuir para o controle dos sintomas e para a melhora da qualidade de vida, especialmente diante de seu histórico recente de alterações neurológicas.



