Saúde
Surto de hantavírus em cruzeiro não tem relação com casos no Brasil
País registra sete casos que não decorrem da cepa andina notificada no navio MV Hondius
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (11) que os casos de hantavírus registrados no Brasil não têm relação com o surto identificado em um cruzeiro internacional que partiu da Argentina em abril. Até o momento, foram registradas três mortes após transmissão no cruzeiro MV Hondius.
Padilha buscou tranquilizar a população sobre a situação sanitária. "O hantavírus, nesse momento, nós temos sete casos sem qualquer relação com o navio de cruzeiro nem a cepa", declarou o ministro a jornalistas. Segundo ele, a chamada cepa andina do hantavírus "nunca circulou" no Brasil.
Nesta segunda-feira,11, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou a primeira morte por hantavírus no estado este ano. O caso, notificado em fevereiro e confirmado pela Fundação Ezequiel Dias, não tem relação com o surto da doença registrado em um navio de cruzeiro que navegava no Oceano Atlântico.
Em nota, a pasta informou que o paciente, um homem de 46 anos, era residente de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, e apresentava histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura. A secretaria reforçou que a cepa de hantavírus identificada no Brasil não é transmitida de pessoa para pessoa.
O ministro Padilha ressaltou ainda que a doença possui características distintas da COVID-19 e lembrou que o país registra cerca de 40 casos de infecção por hantavírus por ano. De acordo com o ministro, os casos atualmente identificados já são conhecidos pelas autoridades sanitárias. Ele explicou que a transmissão ocorre quando uma pessoa aspira partículas presentes em fezes ou urina de um tipo específico de roedor.
O ministro também comentou a decisão do governo espanhol de permitir o desembarque dos passageiros da embarcação MV Hondius, que registrou o surto da doença. “Essa é a melhor forma de podermos acompanhar o surto”, afirmou. Padilha ainda agradeceu ao governo da Espanha “por confiar na ciência”.
O governo espanhol autorizou neste fim de semana o desembarque dos passageiros do navio no porto de Granadilla, em Tenerife. Três mortes relacionadas ao surto foram confirmadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco do hantavírus para a saúde pública permanece baixo. As autoridades espanholas informaram que não haverá contato entre os passageiros da embarcação e a população local.
As declarações de Padilha ocorreram durante cerimônia de lançamento de dois editais voltados à digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS) e à expansão da infraestrutura de internet em regiões vulneráveis do país.



