A velhinha pede socorro
Estou ficando cansada. Desde que entrei na Assembleia Legislativa de Alagoas com 18 anos sou perseguida pelas Mesas Diretoras.
Fiz um concurso público logo que entrei. Passei com excelentes notas e não fui nomeada para o cargo no qual fui aprovada. Fui colocada num cargo isolado.
Minha luta começou. Por desvio de função, de acordo com a lei, fui nomeada Auditora Financeira. Comecei a desempenhar novas funções. Menos de dois anos depois fui rebaixada para Assessora Financeira sem nenhuma justificativa.
Os anos foram passando e eu entrando na justiça, ganhando as causas, mas o que saía do salário nunca era devolvido. A dívida foi se acumulando e, no momento atual, a Assembleia me deve mais de quinhentos mil reais que saíram do meu salário.
Fui vice-presidente e presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assembleia Legislativa durante nove anos. Houve vários combates e vencemos quase todos. Tudo isso foi motivo de ódio que os deputados tinham de mim.
Criei para os servidores do Legislativo um bom patrimônio: o nosso plano de saúde, a Copamedh, o Clube Legislativo numa área nobre da cidade, a sede do Sindicato. Tudo isso com o imposto sindical e verbas dos servidores. Nunca recebi ajuda dos deputados.
Fui ficando velha e aposentei-me. Como todos os inativos da Assembleia, não fui para o Alagoas Previdência. Não sei por que a Mesa Diretora retém os inativos na Casa de Tavares Bastos.
Como sou aposentada, e meu título de aposentadoria foi aprovado pelo Tribunal de Contas, o procurador da Assembleia para mexer na minha vida profissional precisa pedir revisão de aposentadoria. Mas ele faz o que quer!
Recentemente, o Departamento de Pessoal cortou meu salário durante dois anos e cinco meses. Reclamei por escrito. Corrigiram o salário, mas não devolveram o que de mim tiraram.
O chefe de Pessoal pediu que eu fizesse um processo administrativo dirigido a ele. Assim o fiz. Quando o procurei, ele rindo respondeu “Entreguei seu processo ao procurador. Ele vai saber por que a senhora ganha tão bem”. Eu disse, vou até ao presidente. Ele riu ironicamente e disse: “Pode ir!”
Isso aconteceu em junho de 2025. Desde então o procurador sentou em cima do meu processo. Até que no mês de março meu salário veio cortado por ordem do procurador.
Hoje, 31 de março, estou indo à Procuradoria saber o que aconteceu, tentar resolver o caso e conhecer a autoridade que me persegue.
Meus amigos e leitores, como pode uma idosa de 85 anos, cheia de doenças graves, aguentar tantas perseguições por parte de pessoas que não são do Legislativo. Não conhecem a nossa realidade.
Quero crer que recebem ordens de cima para perseguir idosos que deveriam estar no Alagoas Previdência.
Existe na Casa de Tavares Bastos muita coisa que deveria ser corrigida, mas eles preferem perseguir os que estão certos. Já fui chefe de Gabinete e aprendi como lidar com o chefe. Não é servir de “catenga”, balançando a cabeça para tudo o que ele diz. Com educação, o subalterno pode mostrar ao chefe onde está o erro.
A novidade do momento é que o procurador mudou o teto constitucional ferindo uma emenda à Constituição Estadual.
Faço um apelo ao Ministério Público, à Polícia Federal e às autoridades constituídas: salvem a velhinha das Alagoas antes que ela morra de raiva.
Deus na causa!
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



