Salve o Dia das Mães
O Dia das Mães vem aí. Começo, então, a lembrar de minha mãe. Uma morena bonita, de bom coração, mas muito mimada por meu pai. Se ela estivesse errada ao nos corrigir, ele dizia: “Depois falo com ela”. E não falava.
Tive três irmãs, todas foram mães, mas nenhuma, ou só uma, seguiu o exemplo de minha mãe. Quase todas rigorosas, carinhosas e excelentes profissionais. Só uma não trabalhava fora e criou os filhos com muita proteção.
Tive várias amigas com filhos e trabalhavam na Assembleia. Hoje, as crianças viraram médicos, engenheiros, professores, funcionários públicos e são pessoas do bem.
Na geração de meus filhos e filhas, também encontro mães e já avós. Vieram de famílias organizadas que se preocupavam com o futuro dos filhos.
Já passei por quatro gerações, vi e vivi fatos bons e ruins.
Filhos que foram para outros estados, abandonaram os pais, casaram com pessoas de longe e aos poucos foram esquecendo seus velhos.
Em compensação, vejo filhos que foram embora, mas não se esqueceram dos pais.
Tenho uma filha que mora em Pernambuco, mas liga todo dia para saber se está tudo bem. Acompanha a pressão do pai e todas as idas dos dois velhinhos aos médicos. Fez na casa dela uma suíte para os pais porque o pai não pode subir escadas. Diz brincando: “Mãe, somos vizinhas”.
Outra filha mora conosco. É nossa assessora financeira, motorista, cuidadora. Trata-nos com amor, respeito e carinho. Deus a abençoe sempre.
Ainda há um filho que mora no Rio, liga sempre para saber notícias dos pais e vez em quando vem nos visitar.
Infelizmente, Deus levou nosso terceiro filho, mas sinto que, lá do céu, ele nos protege livrando-nos de pessoas que nos machucam, perseguem, desrespeitam.
Conheço vários casais que criaram bem seus filhos e deles recebem um bom tratamento. Tudo nas mãos de Deus.
Infelizmente, há casos negativos de mães e avós que sustentam criaturas irresponsáveis e ainda delas recebem grosserias e agressões.
O que vejo com frequência é filhos e netos tomando a casa da mãe e colocando-a no asilo. Ou então, ficando com salário da aposentada e deixando-a sem seus remédios. São casos graves que deixam os idosos sofridos.
Nesse período do Dia das Mães, fico imaginando as mães que têm seus filhos na cadeia por terem cometido crimes. Já foi feita uma pesquisa e a única pessoa que visita o preso até o fim da pena é a mãe. É impressionante como o amor de mãe é maravilhoso.
Os políticos, em época de eleição, tiram retrato com as mães, falam de amor e respeito. Será que no dia a dia é assim?
Sou mãe, avó e bisavó. Não deixo de pensar nos meus queridos. Os que estão longe, quando não ligam, eu cobro. Esqueceram de sua velhinha?
Tenho um neto médico, carinhoso que liga e diz: “Vozinha, você está bem? E meu vozinho?” De vez em quando ouço a voz dele bem carinhosa. É bom demais!
Tive uma boa sogra. Mulher sabida, seca, mas atenciosa comigo. Teve nove filhos e deu a todos amor e atenção. Deus a tenha em bom lugar.
Além dos meus filhos, tenho alguns sobrinhos que são especiais. Sinto-me meio mãe de alguns deles.
Enfim, sou uma mulher feliz: tenho um bom homem ao meu lado, filhos, netos e bisnetos que me amam.
Se no campo profissional sou perseguida, lembro aos meus algozes que têm mães: olhem para elas e contem que estão perseguindo uma mãe idosa e aguardem a resposta.
Deus abençoe todas as mães!
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



