colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

Se não quiser morrer, aguente


Os planos de saúde estão funcionando de maneira precária. Para se conseguir autorizar um exame, a demora é grande. Para marcar o tal exame é outra novela. Tudo está parecendo o Sistema Único de Saúde. No mês de julho fui fazer vários exames no laboratório de um grande hospital da capital. Cheguei ao local, em jejum. Ao abrir a porta, vi tanta gente que fiquei assustada. Todas as pessoas estavam sem comer. Passado o susto, fui tirar a ficha e aguardar. Como tenho mais de 80 anos, tirei sangue e saí de lá às dez da manhã. Conversei com a enfermeira e perguntei até que horas ia o atendimento. Ela me disse que só saía de lá às três da tarde. Ficam as pessoas do SUS até mais tarde sem comer. Coisas do Brasil!

Em compensação, sempre que preciso, vou a outro laboratório. Tudo muito organizado, um bom lanche servido com carinho, atendentes boas e o dono muito gentil. Liga para mim quando algo dá errado.

Outro dia, levei meu marido à emergência ortopédica de um bom hospital. Muito diferente da emergência geral, que é uma loucura, fomos bem atendidos. Boas enfermeiras, excelente médico. Saímos de lá tranquilos, felizes e meu marido medicado.

Recentemente fui à clínica de um grande amigo meu fazer exames cardíacos. A orientação era chegar das sete às dez da manhã para ser atendida por ordem de chegada. Chegamos às 8:30. O médico só chegou depois de onze horas. De lá saímos irritados quase ao meio-dia. Ainda bem que o exame era do coração, porque a pressão subiu bastante.

Conto tais fatos para os meus leitores porque tenho um bom plano de saúde, conheço muita gente e tenho vários amigos na área médica que me ajudam. Quando o plano não cobre o que preciso, posso pagar. Se há emergência e não consigo autorização do convênio, posso fazer o exame ou ir à consulta de modo particular.

Imaginem, amigos, o povo pobre que precisa ser atendido pelo SUS. Um hospital grande já foi denunciado porque usa as máquinas que vêm do governo federal para atender clientes particulares ou conveniados.

Já fui vítima do câncer e sei que os preparativos para a cirurgia devem ser rápidos. Entretanto, vejo casos de pessoas que ficam esperando por quimioterapia ou radioterapia por seis meses ou um ano. Morrem e não começam o tratamento.

Outro caso grave é quando o conveniado precisa de um remédio novo ou um tratamento mais moderno e o plano não autoriza. É preciso contratar um advogado e recorrer à justiça. Uma amiga morreu de câncer. Passou dois anos se tratando por determinado plano de saúde. Sempre que havia algo novo precisava judicializar. Morreu sofrendo com as injustiças do tal convênio famoso.

Não posso deixar de agradecer a alguns amigos que me ajudam quando preciso agilizar algum exame. Não vou citar nomes para não esquecer de alguém. Obrigada de coração!

o movimento das UPAs, atendendo o povo pobre. Muitas vezes morre no caminho antes de chegar na cidade grande.

Até quando vamos lutar com os planos de saúde, com os longos atendimentos médicos, com esperas incansáveis em certas clínicas. Que Deus tenha pena de todos nós: pobres, ricos, classe média!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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