colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

Quem faz aqui, paga aqui mesmo


Quando comecei a trabalhar na Assembleia via sempre um deputado calmo que vivia sorrindo. Certa tarde, eu estava no trabalho e meu pai apareceu. “Vamos para casa”, disse ele, “acabaram de matar um parlamentar na Rua do Comércio”.

Depois do enterro, as histórias começaram a aparecer: o homem calmo e sorridente antes de morrer havia assassinado um pai de família no interior do estado. Pagou pelo crime.

Tínhamos um diretor que era alcoólatra. Ameaçava as servidoras mais jovens obrigando-as a trabalhar fora de hora. Pois bem, morreu cego dentro de um hospital, roído pelos ratos. A mulher contava às enfermeiras que os bichos invadiam o quarto durante a noite e ninguém acreditava. Ela matou um rato e mostrou ao médico!

Outro diretor famoso do Legislativo foi assassinado nas calçadas do Produban. Até hoje ninguém sabe por que!

Havia outro diretor evangélico que virou ditador. Certa vez, rasurou o pedido de férias de uma servidora e quis puni-la. Não fosse o presidente da Casa ser um homem justo, ele sairia vencedor. A jovem moça foi ao presidente e narrou o fato. O diretor foi chamado e confirmou. Levou uma bela reprimenda e saiu da sala.

Pois bem, morreu de desgosto: a esposa o abandonou e fugiu com o genro.

Tivemos um presidente que só entrava na Casa de Tavares Bastos de capa preta e metralhadora, parecia o Tenório Cavalcante. Tempos depois perdeu a eleição e morreu pobre, fora do estado.

Faz algum tempo tivemos um presidente que cortava os salários dos servidores e afirmava ter combinado com o Sindicato. Mentiu tanto que perdeu as eleições e nunca mais voltou ao Legislativo. Um parente dele dizia: “Onde fulano pisa a grama não nasce”.

Em Pernambuco, um deputado federal, num período das eleições, resolveu denegrir a imagem de um colega espalhando folhetos negativos sobre o comportamento de sua esposa. Foi um escândalo! Meses depois, o falso amigo morreu em um desastre de avião.

Alagoas, nos anos 50 e 60, era famosa pelo Sindicato do Crime e pela Polícia trabalhar para os governantes. Morava na Rua do Sol e da janela de minha casa vi a polícia invadir uma residência e tentar matar uma família. Morreram pai e uma irmã de um deputado. O governador não gostava dele, que teve de sair do estado. Morreu em Brasília.

Minha avó dizia: “Quando alguém lhe fizer um mal, entregue a Deus. O algoz pagará no outro mundo”. Não é o que vejo nesses 85 anos de vida.

Certa feita, um deputado me disse: “Eu posso tudo, sou quase Imperador. Enterrei minha mãe, joguei uma pá de areia na cova dela”. Ao que repliquei: o senhor queria que ela morresse? O valente se espantou: “Claro que não!” Ele não sabia que Deus comanda nossas vidas.

Não vejo que pessoas praticantes de maldades sejam felizes. Sempre pagam caro e muito caro pelo que fazem.

Os filhos que maltratam os pais esquecem que, se não morrerem pelo caminho, ficarão velhos e serão maltratados.

Existe a lei do retorno que diz: quem faz aqui, paga aqui. Portanto é preciso ter cuidado ao prejudicar alguém.

O castigo virá, com certeza.

Deus existe. Não duvidem!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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