De que adianta ter plano de saúde?
Desde pequenos, eu e meus irmãos nos tratamos pela Patronal. Era o antigo plano de saúde do IAPI. Nunca vi meu pai pagar nada por fora além do que ele descontava no salário para o convênio. Éramos dez pessoas: meu pai, minha mãe e oito irmãos. Hoje, sempre que precisamos fazer cirurgia ou qualquer procedimento vem sempre algo por fora. Darei exemplos concretos: precisei fazer biópsia de medula. O plano cobriu e tive que pagar R$ 450,00 de honorários médicos. Meu marido fez a operação de catarata. Pagamos R$ 6.000,00 pelas lentes e R$ 500,00 de um determinado gel. Tudo isso depois que o convênio autorizou e cobriu as despesas. O gel deveria ser pago em dinheiro vivo.
Rubião desconta mensalmente em seu salário altos valores para o convênio médico. Depois que usamos o plano, ele ainda paga o percentual do que utilizamos. E ainda temos que cobrir valores por fora. Reconheço que os planos de saúde pagam pouco aos médicos e hospitais e cobram muito dos conveniados. Falta de planejamento! Nós não temos culpa.
Ainda há um sério problema: sempre que requisitamos a autorização para a consulta ou outro qualquer procedimento, o convênio demora a autorizar. Como temos pressa, pois somos idosos, quase sempre pagamos caro pelo atendimento particular. No nosso caso, como o Fusex é dirigido por pessoas amigas, às vezes somos atendidos com presteza.
Muitos médicos estão saindo dos planos de saúde e só atendem se pagarmos a consulta. Como já estamos acostumados com pessoas que nos acompanham, tememos a mudança para outros profissionais. No meu caso, sou acompanhada por três médicos que não são mais conveniados.
Para nós, que somos atendidos pelo Fusex, plano das Forças Armadas, apesar de termos a carteirinha, é necessário que marquemos um dia para irmos à sede do plano e dizermos o que precisamos. Tudo passa para o mês seguinte a não ser que recorramos à emergência. Os convênios reclamam do excesso de emergência, mas é um recurso que os conveniados usam, pois sabem que se precisarem de atendimento rápido não conseguirão.
Ainda temos sorte de sermos privilegiados da classe média. Pensamos nas criaturas que recorrem ao SUS e ficam meses à espera de uma quimioterapia sabendo que o tratamento do câncer precisa de pressa.
Diante de tudo isso, vem a informalidade, isto é, para marcar um exame pelo Sistema Único de Saúde, a criatura precisa conhecer um lobista, pagar R$ 200,00 e tentar marcar o procedimento. Claro que no sistema hospitalar há pessoas que fazem parte do esquema. Digo isso porque já aconteceu comigo ao marcar um exame de cabeça para uma prima pobre que não tinha plano de saúde.
Sou uma idosa de 85 anos. Preciso de médicos, laboratórios e hospitais. Tenho pago por fora dos planos muita coisa. Eu e meu marido, que também é 80+, gastamos mensalmente mais com atendimentos médicos e remédios do que com alimentação. Agradecemos a Deus por termos condições para cobrirmos tais despesas.
Entretanto, pensamos no povo pobre, usado pelos políticos na hora do voto e desprezado na doença. Deus na causa!
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



