colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

O silêncio das Forças Armadas


Sou casada com um militar do Exército. Convivo, desde 1963, com companheiros do meu marido e fico impressionada com as mudanças que ocorreram nas Forças Armadas. Os quartéis viviam bem, tinham verba suficiente, os soldados faziam as três refeições. Hoje, eles trabalham só um horário e não comem no ambiente de trabalho por falta de dinheiro.

No fim dos anos 60, Rubião era fiscal do 20º BC. Fizemos uma festa de Natal com bastante comida e presentes para as crianças, filhas dos militares que serviam em Maceió. Havia fartura naquela época.

Em 2022 houve eleições para presidente da República e o que vimos, de fora, foi um grupo de militares que foi contra o possível golpe de Estado. Por outro lado, a cúpula das Forças Armadas fiscalizou o trabalho do Tribunal Superior Eleitoral, descobriu erros e não apontou nada. Tudo transcorreu com muito tumulto, a esquerda ganhou as eleições e a direita foi penalizada com muita força.

A partir de 2023, os militares ficaram calados e submergiram. O atual presidente humilha as Forças Armadas, desvia as verbas do Ministério da Defesa e ninguém diz nada.

O Exército vive hoje um momento crítico. Os generais, que estão no topo, ganham bem. De coronel para baixo, que é a maioria, recebem péssimos salários. Quase ninguém fala com medo de ser punido.

O plano de saúde do Exército vive uma má fase. Só tem verba até o dia 5 de cada mês. Se você precisar de uma simples consulta, é uma novela. O militar marca um dia no mês para dizer o que está precisando. No mês seguinte o pedido é liberado parcialmente. Muitas vezes, é preciso pagar a consulta ou o exame.

Quando o meu marido foi para a reserva e voltamos para Maceió, o Fusex tinha convênio com a Unimed e os usuários tinham carteirinha do plano e não precisávamos ir à sede do convênio. Era outra situação.

Diante de tanta dificuldade, nós, os sofredores, recorremos à emergência. Tudo isso porque os descontos que os militares fazem para o plano de saúde não chegam completos. Algo fica pelo caminho.

Estamos em 2026, as eleições fervilham. Os políticos se atacam com denúncias escabrosas, os escândalos se sucedem e os militares ficam calados. A única movimentação que vemos são as tropas federais garantindo as eleições.

O ministro da Defesa, que é pernambucano e civil, deu uma entrevista dizendo que os aviões da FAB não voavam por falta de gasolina. E só! Não falou em desvio de verba e no tratamento que o atual presidente concede às Forças Armadas.

A triste realidade é que o Lula não suporta os militares e trata todos eles com desdém e ironia. O Exército já fez oficiais e praças perderem muita coisa: enfraqueceu o plano de saúde e diminuiu um seguro de vida antigo que os oficiais tinham desde que eram cadetes.

Não sei como sobrevive um casal onde só o homem, que é militar, trabalha. O nível de vida das famílias de oficiais e praças baixou bastante.

Temos, eu e meu marido, grandes amigos no Exército. São irmãos do coração e sei que estão sofrendo com a atual situação. Se o presidente do momento vencer as eleições, não sei o que será dos componentes das Forças Armadas. Deus na causa!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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