Conteúdo do impresso Edição 1345

SEM ALTERNATIVA

Idas e vindas marcam gestão do calheirismo

Renans buscam unidade no grupo para garantir sucessor de Dantas
Por ODILON RIOS 13/12/2025 - 06:00
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LULA MARQUES/AGÊNCIA BRASIL
Renan Calheiros quer eleger filho novamente governador e o prefeito em 2028
Renan Calheiros quer eleger filho novamente governador e o prefeito em 2028

Ronaldo Lessa era vice-prefeito de Maceió na gestão JHC e com chance quase zero de virar titular. Então, se afastou do prefeito e foi convidado como vice de Paulo Dantas. Porque Lessa tem um capital eleitoral poderoso: o voto de Maceió, que os Calheiros não conseguem alcançar. E uma boa parte dos votos dos funcionários públicos (80 mil ao todo), grande porcentagem concentrada em Maceió.

Hoje o senador Renan Calheiros e Lessa fazem parte do mesmo grupo político. Mas ainda assim o vice é tratado como peça fora do
jogo na sucessão palaciana, o que o obriga a se manter em evidência. É apontado como nome ao Senado, deputado federal ou estadual.

E Paulo Dantas repete que não deixará o governo, em abril de 2026, para disputar mandato. Há duas semanas foi eleito presidente do Consórcio Nordeste, e deve trazer governadores da região a Alagoas colocando os Calheiros no centro das atenções ainda no primeiro semestre do próximo ano.

Apostando todas as fichas no único nome ao governo, que é Renan Filho, o calheirismo segue com outra lacuna: um nome para a
sucessão de JHC em Maceió.

Não é estranho Calheiros elogiar JHC, como aconteceu várias vezes ao longo deste ano. O sucessor natural de Jota na Prefeitura é o vice Rodrigo Cunha (Podemos), nome desprezado pelos Renans. Cunha disputou eleição com Paulo Dantas em 2022. Jota tem força nas urnas em 2026 se resolver deixar a Prefeitura para disputar o governo ou o Senado.

Como Cícero Almeida também era elogiado por Renan, apesar de ter sido lançado pelo empresário – antes inimigo político – João Lyra.

“O prefeito Cícero Almeida é sem dúvida nenhuma o melhor prefeito que Maceió já teve. Tem feito uma revolução na estrutura física de nossa cidade, trabalhando com transparência, seriedade e demonstrando compromisso com o povo”, disse o senador em março de 2012, na inauguração da Avenida Márcio Canuto.

Dois anos depois, Almeida disputou a Prefeitura contra Rui Palmeira, com a presença de JHC na eleição. Jota terminou em terceiro
lugar. Almeida em segundo, ficando fora de um potencial terceiro mandato. E Rui venceu o candidato dos Calheiros.

Foi alvo da conhecida fúria do senador. “Arrogante, presunçoso, deslumbrado e invejoso”, classificou Renan. Mais adiante, Rui deu
o troco em uma ampla campanha contra a reeleição de Calheiros. Depois, os dois dividiram palanque – hoje estão no mesmo grupo
político-eleitoral: o de Paulo Dantas.

Pano de fundo deste quadro: a ausência de substitutos para o grupo também em Maceió. Em 2020, os Renans improvisaram com Alfredo Gaspar de Mendonça que ganhou fama com métodos da Secretaria de Segurança Pública mais próximos do discurso da ultradireita – como o bandido bom, bandido morto. Antes era chefe do Ministério Público Estadual. Como secretário, Gaspar contou
com um MP bastante benevolente em relação às políticas de execução de bandidos. Resultado: ao deixar o comando da SSP, foi homenageado até pela Assembleia Legislativa.

Os Calheiros enxergaram no hoje deputado federal uma nova onda, sem perder o controle do grupo. A derrota chegou no segundo turno para JHC. Mais adiante Gaspar e Jota se uniram, e o federal é até especulado como nome ao Senado no grupo do prefeito.

Novamente os Renans improvisaram um nome para evitar a reeleição de JHC, que acabou se revelando mais fácil para derrotar: Rafael Brito. Eleito deputado federal com 58.134 votos (apenas 15.124 em Maceió), mesmo assim virou a bola preta da sinuca calheirista. Acabou encaçapado antes da hora.

É provável que Paulo Dantas possa disputar a Prefeitura de Maceió em 2028. A julgar pelo pacotaço de R$ 5 bilhões, em obras na região metropolitana, mas principalmente em Maceió, o governador parece ter virado um nome provável e trabalhado desde já para um futuro próximo. O pacotaço de Dantas promete gerar 70 mil empregos – e dentro deles deve-se olhar também os votos.

Os reveses eleitorais dos Calheiros afastam prováveis aliados em Maceió e dificultam ainda mais a construção de um nome próprio do grupo na capital.

O que também se repete em Arapiraca. É o prefeito Luciano Barbosa o personagem mais poderoso no segundo maior colégio eleitoral do estado. Antes calheirista, hoje também transita no lirismo que tem o compromisso – assim como os Calheiros – de ajudar na reeleição de Daniel Barbosa, o filho de Barbosa que é deputado federal.

Luciano passa pelo mesmo dilema: não tem um nome próprio sendo trabalhado para a sucessão municipal. No campo das probabilidades sempre aparece Yale Fernandes, secretário Municipal de Gestão Pública. Há ainda a ex-prefeita Célia Rocha, que trabalha pela reeleição de Daniel Barbosa. Nenhum dos dois nomes, porém, é tratado para valer.

Como se vê, os Calheiros e a família Barbosa têm as suas semelhanças, mesmo trabalhando com a ideia de diferentes entre si.


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