Conteúdo do impresso Edição 1345

COMBATE AO CRIME ORGANIZADO

Alagoas intensifica ações para capturar foragidos ligados ao Comando Vermelho

Procurado nacionalmente, Kayo Magalhães obteve habeas corpus no ano passado
Por JOSÉ FERNANDO MARTINS 13/12/2025 - 06:00
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SSP
Quem são os 8 criminosos mais procurados de Alagoas
Quem são os 8 criminosos mais procurados de Alagoas

As forças de segurança de Alagoas ampliaram as operações de inteligência para localizar e prender oito criminosos considerados de alta periculosidade e ligados ao Comando Vermelho. Os nomes foram reunidos em uma lista inédita elabora da pela Secretaria de Segurança Pública e incorporada ao Programa Captura, lançado na segunda, 8, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A iniciativa reúne 216 alvos (8 de cada unidade da federação) que, segundo o governo federal, representam ameaça significativa à segurança nacional.Entre os foragidos está Kayo Nascimento de Magalhães, conhecido como “99”, que mesmo sendo hoje um dos procurados e mais importantes da facção, obteve habeas corpus no ano passado em um dos processos em que figura como réu.

Apesar do benefício judicial, ele continua sendo apontado pela SSP como operador direto da organização criminosa em Alagoas, com forte influência sobre ações violentas no estado.

O secretário-executivo de Políticas de Segurança Pública, coronel Patrick Madeiro, afirma que os alvos exercem controle sobre tráfico de drogas, homicídios e articulações interestaduais. Segundo ele, muitos deles comandam crimes em Alagoas a partir de áreas controladas por facções no Rio de Janeiro, sobretudo no Complexo do Alemão.

A SSP reforça que informações anônimas podem ser enviadas ao Disque-Denúncia 181. 

Givaldo Barbosa de França – Quinzinho

Conhecido como “Quinzinho”, ganhou notoriedade em 2016 ao ser preso em um apartamento de luxo na Ponta Verde, em Maceió, após tentar escapar pulando da varanda. A polícia o aponta como liderança do tráfico de drogas no conjunto Virgem dos Pobres, no Vergel. Ele já respondeu a acusações de homicídio, roubo de carga e crimes relacionados ao tráfico, além de ter condenação anterior cumprida no sistema prisional. Segue sendo considerado um dos articuladores do comércio de entorpecentes na região lagunar.

José Emerson da Silva – Nem Catenga

Apontado como um dos principais articuladores do Comando Vermelho em Alagoas, “Nem Catenga” estaria foragido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde recebe apoio da facção. Acumula mandados de prisão por crimes como homicídio, tráfico de drogas, associação  criminosa, porte ilegal de arma e uso de documento falso. Tornou-se nacionalmente conhecido após ser identificado como responsável pelo envio de um fuzil para Maceió apreendido escondido dentro de uma máquina de lavar. Sua trajetória inclui liderança no tráfico em bairros como Cambona, Levada e Vila Brejal, além de ligação com grupos envolvidos em assaltos a banco e tráfico de grandes quantidades de drogas. Depois da morte de um irmão em 2016, fugiu para o Rio, onde permanece protegido pela facção.

José Mariano dos Santos – Rato

“Rato” foi preso em 2017 ao lado de outras 16 pessoas durante uma operação da SSP. Segundo as investigações, o grupo integrava duas organizações criminosas que disputavam o tráfico na Barra de Santo Antônio e que teriam dividido a cidade para comandar a venda de drogas. Havia ainda suspeitas de envolvimento dos integrantes em homicídios ocorridos na região.

José Ronaldo da Silva Santos – Ronaldo

José Ronaldo aparece como indiciado e réu em ações relacionadas a homicídio qualificado, tráfico de drogas, associação para o tráfico e outros crimes violentos. Ao longo dos anos, participou de diferentes fases processuais, incluindo apelações, habeas corpus e procedimentos do Tribunal do Júri. A SSP o trata como integrante de redes criminosas que disputam territórios de drogas em Maceió e em cidades do interior.

Kayo Nascimento de Magalhães – 99/ Cabra / Rafinha

Com 25 anos, é apontado pela SSP como um dos principais operadores do Comando Vermelho em Alagoas. Estaria foragido no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, em uma área dominada pelo tráfico e usada como refúgio por criminosos de vários estados. Segundo a polícia, sua localização é conhecida pelas autoridades fluminenses. Ele responde a processos relacionados a homicídios e exerce influência criminosa em municípios da Região Metropolitana de Maceió, como Rio Largo, Satuba e Santa Luzia do  Norte, além da capital. Em 30 de julho de 2024, a 3ª Procuradoria Criminal do Ministério Público de Alagoas emitiu parecer favorável ao habeas corpus de Kayo Nascimento de Magalhães, reconhecendo a prescrição da pretensão punitiva no processo em que ele havia sido condenado por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. O órgão apontou que o intervalo entre o recebimento da denúncia, em maio de 2018, e a publicação do acórdão condenatório, em maio de 2024, ultrapassou o prazo legal para a punição, o que extinguiu a possibilidade de execução da pena. Diante disso, o Ministério Público recomendou a concessão da ordem ao Tribunal de Justiça.

Marcos Pedro da Silva Monteiro – Serofinho

Conhecido como “Serofinho”, responde por homicídio qualificado ao lado de outros réus, entre eles o próprio Kayo Magalhães. É considerado pela SSP como integrante de um núcleo envolvido em crimes violentos na capital. Sua prisão é tratada como estratégica para o desmonte de ações atribuídas ao grupo.

Wilton Ramos da Silva – Lucerna

Conhecido como “Lucerna”, aparece como indiciado em investigações relacionadas a crimes praticados por grupos armados e delitos patrimoniais.

Wilson Marques de Albuquerque – Zé Dirceu / Alex

Wilson ficou conhecido após fugir do Presídio de Segurança Máxima de Maceió em 2017, em uma evasão que mobilizou forças policiais. Ele foi denunciado por roubo qualificado e associação criminosa, com participação em um assalto ocorrido em Cajueiro, quando uma quadrilha invadiu a residência de uma vítima e roubou um malote de dinheiro. Segundo depoimentos judiciais, ele teria alugado o carro utilizado no crime e admitido que fugiu com os demais envolvidos. Durante o processo, chegou a receber liberdade provisória. Sua inclusão na lista nacional está ligada ao histórico de fugas e reincidência em crimes organizados


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