ELEIÇÕES 2026
JHC x Renan Filho: o caminho até o duelo pelo Governo de Alagoas
Disputa é marcada por mudanças de partido, alainças refeitas e negociações.
Alagoas chega neste domingo ao primeiro turno das eleições de 2026 com uma disputa pelo governo marcada por mudanças de partido, alianças refeitas e negociações que alcançaram os palanques estadual e nacional. JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB) concentram a maior parte das intenções de voto, mas dividem a urna com Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata).
O confronto começou a ganhar forma em 2025. JHC era prefeito de Maceió e presidia o PL em Alagoas, enquanto Renan Filho ocupava o Ministério dos Transportes no Governo Lula e era apontado como nome do MDB para voltar ao governo estadual.
Naquele cenário surgiu a indicação de Maria Marluce Caldas, tia de JHC, ao Superior Tribunal de Justiça. Lula escolheu a então procuradora de Justiça em julho de 2025, e ela tomou posse em setembro. Folha e UOL relataram que interlocutores atribuíam à negociação um suposto entendimento para JHC não disputar o governo e deixar o caminho aberto a Renan Filho.
O acordo nunca foi formalizado publicamente, e aliados de JHC negaram relação entre a indicação e seu futuro eleitoral. Em março de 2026, ele deixou o PL após divergências com Arthur Lira (PP) e se filiou ao PSDB. Em abril, renunciou à Prefeitura de Maceió, mas manteve a dúvida entre governo e Senado.
Também em abril, Ronaldo Lessa (PDT) rompeu com a base de Paulo Dantas e se aproximou de JHC. O vice-governador chegou a anunciar que seria vice na chapa tucana e abandonou o plano de disputar o Senado. Do outro lado, Paulo Dantas, o MDB e aliados consolidaram a candidatura de Renan Filho, que declarou apoio à reeleição de Lula.
Agosto concentrou as maiores reviravoltas. Lessa confirmou a vice, mas a vaga voltou à negociação. JHC conversou com Arthur Lira e voltou a ser citado como possível candidato ao Senado. Uma reunião reservada com Lula, em Brasília, reforçou essa hipótese às
vésperas do prazo final.
A definição veio em 15 de agosto. JHC registrou candidatura ao governo tendo Célia Rocha (PSDB) como vice; Renan Filho concorre com Yale Barbosa (MDB). Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) integram o bloco de JHC para o Senado. Dra. Eudócia ficou na primeira suplência de Marina. Lessa foi indicado como segundo suplente, mas depois renunciou.
No plano nacional, Lula pediu publicamente votos para Renan Filho e para os candidatos ao Senado de seu grupo. JHC não declarou formalmente apoio a um presidenciável. Flávio Bolsonaro afirmou que o tucano era seu candidato em Alagoas, mas JHC não participou das agendas do candidato do PL no estado.
A relação de JHC com Lula continuou no centro da campanha. Em setembro, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de material que associava JHC ao presidente da República e de um vídeo de Lessa pedindo votos para ambos. Em Maceió, Lula reforçou Renan Filho, mas evitou citar JHC nominalmente ao fazer críticas indiretas.
A corrida ao Senado também reúne sete nomes. Renan Calheiros e Dr. Wanderley são apoiados pelo grupo de Renan Filho; Marina JHC e Arthur Lira estão no campo de JHC. Davi Davino Filho, do Republicanos, também declarou apoio a JHC. Alexandre Fleming (UP) e Mariedson (Democrata) completam a relação de candidatos.
A chapa de Renan Calheiros mudou após o registro: Paulo Guilherme Barbosa Leão e Sabino Fidélis deixaram as suplências, substituídos por Gustavo Henrique, ligado ao grupo de Paulo Dantas, e Christiane Bulhões. A candidatura de Dr. Wanderley
também teve substituições e pendências analisadas pela Justiça Eleitoral.
PESQUISAS DIVERGENTES
Na reta final, os institutos apresentam retratos diferentes. Em 25 de setembro, Real Time Big Data marcou Renan Filho com 47% e JHC com 44%, enquanto a Quaest apontou JHC com 43% e Renan com 41%; ambos os levantamentos registraram empate técnico. Já o Ranking, divulgado no dia 29, mostrou JHC com 49% e Renan com 39%.
Em 30 de setembro, o Paraná Pesquisas registrou JHC com 48,6%, Renan Filho com 43%, Lenilda Luna com 0,7% e Márcio Jambo com 0,4%. No Senado, Marina JHC apareceu com 45,6%, Arthur Lira com 41,6%, Renan Calheiros com 36,9%, Davi Davino com 22,9%, Dr. Wanderley com 15,2%, Fleming com 1,1% e Mariedson com 0,4%.
Os debates também fizeram parte do embate. Nos dois encontros em que JHC esteve frente a frente com Renan Filho, as trocas de acusações e provocações ganharam mais destaque que a apresentação de propostas. O ex-prefeito não compareceu a outros debates durante a campanha, que acabaram transformados em sabatinas ou entrevistas com Renan Filho.
A disputa pode terminar já neste domingo. Para ser eleito governador no primeiro turno, um candidato precisa conquistar mais da metade dos votos válidos, excluídos os brancos e nulos. Se ninguém alcançar a maioria absoluta, JHC, Renan Filho, Lenilda Luna e Márcio Jambo dão lugar aos dois mais votados, que voltam às urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro.



