quebra de decoro

Glauber Braga diz ser alvo de “tortura institucional” e acusa Arthur Lira

Deputado responde a processo e afirma que recomendação de cassação tem origem em perseguição
Por Redação 04/04/2025 - 09:53
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Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Rivais: Arthur Lira e Glauber Braga
Rivais: Arthur Lira e Glauber Braga

Alvo de um processo de cassação de mandato na Câmara dos Deputados, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) classificou a representação que tramita contra ele como uma forma de “tortura institucional”. Em entrevista concedida nesta quinta-feira, 3, ao programa Segunda Chamada, do canal MyNews no YouTube — com participação do Brasil de Fato —, o parlamentar afirmou ser vítima de perseguição por parte do ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), a quem chamou de “inimigo”.

A representação contra Braga foi apresentada pelo partido Novo, que o acusa de quebra de decoro parlamentar após um episódio de agressão física envolvendo um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL). O embate, ocorrido em abril de 2024, teria tido início com uma discussão e evoluído para contato físico. O caso está sob análise do Conselho de Ética desde então e teve seu ponto alto nesta quarta-feira, 2, com a leitura do parecer do relator Paulo Magalhães (PSD-BA), que recomendou a cassação do mandato do psolista.

Segundo Magalhães, o deputado fluminense teria “extrapolado os direitos inerentes ao mandato, abusando das prerrogativas que possui”. A votação do parecer, no entanto, foi adiada após pedido de vista do deputado Chico Alencar (Psol-RJ). A expectativa é de que o tema volte à pauta do colegiado na próxima semana.

Na entrevista, Braga reagiu ao parecer do relator com duras críticas. “Não me surpreendeu porque eu sabia que esse voto já havia sido contratado em uma relação direta com Arthur Lira”, disse. “Ficou demonstrado que a contratação era pela cassação, então eu já esperava que ele entregaria a fatura que tinha compactado com Lira.”

Braga também argumentou que o processo é parte de um movimento de perseguição política, especialmente por sua postura crítica à política do chamado “orçamento secreto” e à condução da Câmara sob o comando de Lira. O deputado relembrou os embates públicos com o ex-presidente da Casa, intensificados desde sua denúncia, em 2024, de supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Questionado sobre eventuais arrependimentos no episódio que motivou o processo, Braga reafirmou sua posição. Ele disse ter reagido após o militante do MBL ter ofendido sua mãe, Saudade Braga, ex-prefeita de Nova Friburgo (RJ), que na época estava em estado grave de saúde e faleceu no mês seguinte. “Fico imaginando como eu me sentiria se não tivesse reagido às provocações daquele sujeito. Ele falou especificamente da minha mãe, que estava com Alzheimer em estágio bastante avançado.”

Braga ainda relatou que o mesmo militante já havia protagonizado episódios de provocação em outras ocasiões, especialmente no Rio de Janeiro, sua base eleitoral.

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