União dos Palmares

Hospital promove demissão em massa, mas não garante pagar rescisões

Por Tâmara Albuquerque 07/12/2020 - 10:51
Atualização: 07/12/2020 - 15:27
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Reprodução
Hospital São Vicente de Paulo, em União dos Palmares
Hospital São Vicente de Paulo, em União dos Palmares

O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), no município de União dos Palmares, iniciou o período de demissão em massa dos profissionais da área de enfermagem, tendo desligado, até agora, 102 profissionais. O mais grave é que a instituição já teria afirmado que não há recursos para pagar rescisões trabalhistas, segundo o Sindicato dos auxiliares e técnicos da enfermagem (Sateal). 

O motivo apresentado pela direção da unidade para demitir, com mais de 80 anos em funcionamento, seria a redução de receita ocorrida após a inauguração do Hospital da Região da Mata, inaugurado no município no início de agosto. O Sindicato alerta que vai ajuizar ações na Justiça do Trabalho para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam pagos.

Hoje, os profissionais e representantes do sindicato da categoria, o Sateal, terão audiência com na Procuradoria Regional do Trabalho para discutir o quadro. O sindicato informa que todos os serviços prestados serão encerrados no São Vicente de Paulo, ficando apenas o atendimento em obstetrícia. 

"A direção alegou não ser possível manter os trabalhadores, pois não há garantias para pagar os salários dos que ficaram trabalhando, além das multas de 40% nas rescisões dos contatos, uma vez que a receita para pagar a conta vem da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e há atrasos nos repasses para o São Vicente", denuncia o Sateal.

No mês de outubro a diretora administrativa do Hospital, Paula Lima, disse que com a mudança dos serviços, a demanda que o hospital tinha não é a mesma, havendo a necessidade de reduzir o quadro de colaboradores. “Portanto, será de fato necessário acontecer algumas demissões”, afirmou na ocasião.

Serviços como urgência e emergência, ortopedia, clinica médica e cirúrgica seria ofertados no São Vicente até o dia 31 de outubro. Depois desta data, ficariam centralizados no Hospital Regional da Mata.

Segundo o diretor da entidade, Mário Jorge, o sentimento dos profissionais é de total indignação. “Uma falta de consideração e respeito do Hospital, além do questionamento sobre a postura da direção, que não demitiu os trabalhadores dos serviços que não vão ter continuidade. O que aconteceu foi um pente fino”. 

O presidente do Sateal já havia manifestado junto aos a preocupação com a saúde financeira do Hospital São Vicente, uma vez que suas receitas vinham em sua totalidade do convênio com a Secretaria de Saúde. “A empresa nunca procurou diversificar as rentabilidades, como planos de saúde, convênios com municípios”.

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