JUSTIÇA

Vítimas podem acessar inquérito sobre afundamento do solo, determina STJ

Extração de sal-gema realizada pela Braskem afetou cerca de 60 mil pessoas em Maceió
Divulgação
Pesquisadores da Ufal alertavam para riscos de afundamento desde 2010
Pesquisadores da Ufal alertavam para riscos de afundamento desde 2010

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu a associação de vítimas da mineração em Maceió podem ter acesso ao inquérito policial que apura as responsabilidades da Braskem e do poder público no crime ambiental. A decisão é de 25 de junho. A mineradora recorreu, mas teve a liminar negada.

A associação de empreendedores e vítimas da mineração tentava ter acesso ao inquérito desde junho de 2023. Após negativas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da 13ª Vara Federal de Alagoas e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, os advogados conseguiram decisão favorável no STJ.

O escritório GB Advocacia Criminal & Investigação Defensiva, de Natal, que representa os moradores, interpôs o recurso ordinário em mandado de segurança em 15 de janeiro de 2024. O relator foi ministro o Jesuíno Rissato. Já havia parecer favorável do Ministério Público Federal, representado pelo subprocurador-geral da República Osnir Belice.

"Embora diligências em andamento possam ser mantidas fora dos autos, não é permitido se manter em sigilo pleno, especialmente quanto às diligências findas e já documentadas na investigação. Não sendo admissível, portanto, tornar os autos inacessíveis a quem seja por atos nesses procedimentos atingidos, prejudicando direitos e garantias fundamentais - especialmente na situação da espécie", diz um trecho da decisão.

A Braskem atua em Alagoas desde os anos 1970 e já causou danos a 60 mil pessoas e a evacuação de 14 mil residências desde 2019, quando a mineração feita pela empresa foi apontada como a causadora das rachaduras que surgiram em imóveis e no solo de bairros de Maceió.

Durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem do Senado, que investiga a petroquímica, a Braskem admitiu publicamente, pela primeira vez, a responsabilidade pelo afundamento do solo. A confirmação da culpa foi feita pelo diretor global de Pessoas, Comunicação, Marketing e Relações com a Imprensa da empresa, Marcelo Arantes.

“Este caso marca um precedente significativo para vítimas de crimes ambientais, especialmente após a decisão paradigmática no Superior Tribunal de Justiça, que reconhece o direito de acesso à informação também para as vítimas difusas ou coletivas representadas por entes coletivos”, afirmou o advogado Gabriel Bulhões.


Encontrou algum erro? Entre em contato