BAIRROS AFUNDANDO

Defensoria pede remoção de moradores no Bom Parto à Justiça Federal

Pesquisas independentes levantam dúvidas sobre mapas de risco da Defesa Civil
Divulgação
Área destruída no entorno do Bom Parto, em Maceió
Área destruída no entorno do Bom Parto, em Maceió

A Defensoria Pública de Alagoas solicitou à Justiça Federal a realocação imediata de famílias do bairro Bom Parto. O pedido, feito pelo defensor Ricardo Melro em ofício de 14 de agosto de 2025 ao juiz André Granja, baseia-se em inspeção judicial que apontou risco à vida e segurança da comunidade.

O documento pede que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região se manifeste sobre nota técnica que trata dos impactos do afundamento do solo causado pela Braskem. A solicitação inclui não apenas o Bom Parto, mas também Flexais, Vila Saem e Rua Marquês de Abrantes, em Bebedouro.

O defensor argumenta que pesquisas independentes, apresentadas em 8 de agosto de 2025, levantam dúvidas sobre os mapas oficiais de risco da Defesa Civil. Segundo ele, os estudos indicam que o problema pode ser mais abrangente do que o reconhecido pelas autoridades.

“Pesquisas independentes apresentadas pela Defensoria Pública do Estado, em 8 de agosto de 2025, levantam, no mínimo, dúvidas acerca do nexo causal. Tais análises sugerem que a realidade do risco é mais complexa e grave do que a retratada nos mapas oficiais”, acrescentou o defensor.

A inspeção judicial realizada em 22 de julho de 2025 constatou rachaduras, afundamento do solo e insegurança dos moradores. A Defensoria considera que a documentação da visita comprova a necessidade de decisão urgente sobre a ação que tramita na Justiça Federal.

A Defensoria pede que a Justiça determine a remoção das famílias e garanta apoio assistencial. O juiz André Granja informou, por meio da assessoria do Tribunal, que o processo já foi concluído e que, além da DPE, também se manifestaram DPU, MPF e MPE.

Cientistas que analisaram as áreas destacam a necessidade de revisão do mapa de risco V5. Eles apontaram rachaduras e pisos afundados mesmo fora da zona considerada de risco pela Defesa Civil. Os técnicos afirmam que o solo continua cedendo e pedem monitoramento contínuo.


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