Política

Renan Calheiros preserva texto da Câmara sobre isenção do IR

Proposta deve ser votada nesta 4ª. Mudanças foram sugeridas em um novo projeto de lei
Agência Senado
Renan Calheiros, relator do projeto, decidiu manter o texto para possibilitar sanção do presidente Lula ainda este ano
Renan Calheiros, relator do projeto, decidiu manter o texto para possibilitar sanção do presidente Lula ainda este ano

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou para amanhã, quarta-feira, 5, a votação do projeto que eleva para R$ 5 mil mensais a faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas. O relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), decidiu manter integralmente o texto aprovado pela Câmara, sem alterações de mérito. A decisão visa acelerar a sanção pelo presidente Lula (PT), garantindo que a medida entre em vigor em janeiro de 2026. 

As mudanças foram sugeridas em um novo projeto de lei (PL 5.473/25), apresentado pelo senador, que eleva a CSLL de fintechs e dobra a taxação das bets.

O projeto de lei (PL) 1.087/2025 que muda as regras da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) será analisado  deve ir ao Plenário. O projeto, de autoria do governo, já foi votado na Câmara. O texto foi aprovado pelos deputados em outubro e precisa ser aprovado pelo Senado a tempo de valer para o ano que vem.

"Como presidente do Senado Federal, com parecer da consultoria, nós desmmbramos propostas de emenda à Consituição, como também projetos de lei. E poderíamos tranquilamente fazer o mesmo em função de uma prática já adotada. Mas é evidente que isso ensejaria novos problemas jurídicos e não compensaria de forma nenhuma nós comprometermos essa segurança jurídica que devemos preservar.", disse Calheiros.

Além de prever isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a proposta determina a redução gradual da alíquota para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Para compensar a renúncia fiscal, o projeto prevê a tributação de lucros e dividendos na fonte (para distribuições superiores a R$ 50 mil) e a criação de um “imposto mínimo” de até 10% para pessoas de alta renda (superior a R$ 600 mil por ano).

Atualmente, a isenção atinge rendimentos de até R$ 3.036 mensais (com desconto simplificado). A nova regra amplia a faixa para R$ 5 mil mensais, com alíquotas progressivas para salários acima desse limite e tributação de até 10% sobre lucros e dividendos acima de R$ 600 mil por ano.

Projeto com compensações


Para compensar a redução de arrecadação causada pela isenção ampliada, Renan apresentou projeto paralelo que aumenta tributos sobre setores de alta lucratividade, evitando que mudanças no IR precisem retornar à Câmara. Segundo o relator do novo projeto, senador Eduardo Braga (MDB-AM), os principais ajustes são:
Bancos e sociedades de crédito: CSLL sobe de 15% para 20%.
Fintechs, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários: CSLL aumenta de 9% para 15%.
Apostas esportivas (bets): contribuição sobre a receita bruta do jogo passa de 12% para 24%, metade destinada a compensar estados e municípios. O impacto fiscal positivo estimado será de R$ 4,98 bilhões em 2026, alcançando R$ 6,68 bilhões em 2028.

Contexto político 

A decisão de Renan de manter o texto aprovado pela Câmara ocorre em um contexto de disputa política. O senador havia criticado alterações feitas na Câmara pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), que blindaram certos investimentos de alta renda, como LCIs, LCAs e Fiagros.

Embora Lira alegue que mudanças tiveram aval do Ministério da Fazenda, Renan apontou que elas não estavam acompanhadas de compensação financeira, o que poderia violar a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Ao apresentar o projeto de arrecadação paralelo, o senador evitou atrasos na sanção do IR.

Cronograma de votação


CAE (Comissão de Assuntos Econômicos): avaliação do IR e do projeto de arrecadação nesta terça (4).
Plenário do Senado: votação prevista para até quarta-feira (5).
Sanção presidencial: medida deve ser sancionada ainda este ano para vigorar em janeiro de 2026.
Além de gerar receita, o projeto paralelo inclui o Pert-Baixa Renda, programa de regularização tributária voltado a contribuintes com renda de até R$ 7.350 mensais, com foco em combater o superendividamento.


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