DECISÃO

Justiça condena maior traficante de aves do país a 18 anos de prisão

Investigação do MPAL e MPBA levou à sentença por tráfico e lavagem de dinheiro
Por Assessoria 26/01/2026 - 19:22
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MPAL
Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, foi condenado por tráfico de aves silvestres
Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, foi condenado por tráfico de aves silvestres

A Justiça da Bahia condenou Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, a 18 anos de prisão por crimes ligados ao tráfico de animais silvestres. Ele é apontado como o maior traficante de aves do país. A sentença é resultado da Operação Fauna Protegida, conduzida pelos Ministérios Públicos de Alagoas (MPAL) e da Bahia (MPBA).

Weber foi condenado pelos crimes de organização criminosa, tráfico de animais silvestres, maus-tratos com resultado morte, lavagem de dinheiro e receptação qualificada. Ele estava preso preventivamente desde sexta-feira, 26, de setembro de 2025, após investigação conjunta dos órgãos.

Além dele, também foram condenados Ivonice Silva e Silva, companheira de Weber e apontada como operadora financeira do grupo, Uallace Batista Santos, Josevaldo Moreira Almeida, Ademar de Jesus Viana, Messias Bispo dos Santos e Gilmar José dos Santos. Todos foram identificados como integrantes da organização criminosa.


Prisões e investigações

Antes da prisão em setembro de 2025, Weber havia sido detido em janeiro do mesmo ano, durante uma blitz na BR-101, próximo a Itabuna, no sul da Bahia. Na ocasião, ele transportava ilegalmente 135 pássaros silvestres.

Após esse flagrante, o investigado passou a ser monitorado pelos Ministérios Públicos. Em setembro, ele e os demais integrantes do grupo foram presos no município de Mascote (BA) durante a Operação Fauna Protegida e denunciados à Justiça.

Segundo o promotor de Justiça Kleber Valadares, coordenador do Núcleo de Meio Ambiente do MPAL, Weber era responsável pela captura, manutenção em cativeiro, transporte das aves e pela movimentação financeira da organização.

De acordo com as investigações, o grupo atuava há mais de 30 anos no tráfico de animais, com atuação em diferentes regiões do país, especialmente no Nordeste e Sudeste.

Movimentação financeira

As apurações indicaram que, entre fevereiro e agosto de 2023, quase R$ 500 mil foram movimentados nas contas de Ivonice Silva e Silva, responsável por receber os valores das vendas e pagar fornecedores.

Segundo os investigadores, as “encomendas” chegavam a reunir mais de mil aves por vez. Parte das transferências bancárias partiu da cidade de Magé, no Rio de Janeiro, onde reside Valter Nélio, conhecido como “Juninho de Magé”, também acusado por lavagem de dinheiro.

Há registros de vendas de aves por valores que chegavam a R$ 80 mil.

Atuação da organização

Entre as espécies traficadas estavam canário, trinca-ferro, azulão, papa-capim, chorão, pássaro-preto e estevão. As aves eram capturadas com armadilhas e redes de até 20 metros, capazes de prender até 500 animais em um único dia.

Segundo dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), cerca de 90% dos animais capturados morrem durante o transporte, em razão de maus-tratos, estresse e condições precárias.

As investigações também identificaram uma rota do tráfico que saía do sudeste da Bahia e do nordeste de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, apontada em estudo do projeto Libertas, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa).


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