ELEIÇÕES 2026
Justiça suspende pesquisa Falpe por excluir 65% do eleitorado de Alagoas
TRE-AL aponta distorções metodológicas e risco de manipulação da opinião pública
Uma decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou, nesta sexta-feira, 6, a suspensão imediata da divulgação da pesquisa registrada sob o número AL-05611/2026, realizada pela empresa Falpe Pesquisas. O relator do caso, desembargador Maurício César Breda Filho, apontou indícios de graves falhas metodológicas e formais no levantamento, que havia sido apresentado ao público como retrato da disputa eleitoral no estado. A decisão foi tomada após representação do diretório estadual do MDB.
Segundo o magistrado, a pesquisa restringiu a coleta de dados a municípios da Região Metropolitana de Maceió, apesar de medir intenções de voto para cargos de abrangência estadual, como governador e senador. Essa limitação excluiu cerca de 65% do eleitorado alagoano, especialmente o interior do estado. Para o relator, essa metodologia impede que os resultados sejam extrapolados para todo o estado e cria uma distorção na informação apresentada ao eleitor. “A divulgação de pesquisas exige rigor técnico, pois exerce forte influência na formação da convicção do eleitor”, escreveu o desembargador na decisão.
A divulgação da pesquisa realizada pelo Instituto Falpe, realizada apenas na Região Metropolitana de Maceió sobre a preferência do eleitor para as eleições de 2026, recebeu duras críticas do diretor do Instituto DataSensus, Eugênio Albuquerque. Nas redes sociais, Albuquerque questiona não só a abrangência da pesquisa como a representatividade. "recortes regionais, quando apresentados como resultado amplo, induzem a interpretações equivocadas", afirma.
Cenários artificiais
A decisão também aponta problemas na elaboração do questionário utilizado pela pesquisa. No cenário estimulado para governador, foram apresentados apenas dois nomes — o prefeito de Maceió, JHC, e o ex-governador Renan Filho. Para o relator, essa combinação, associada à realização da pesquisa justamente na região de maior influência política de um dos citados, cria uma percepção artificial de liderança eleitoral.
Já no cenário para o Senado, a pesquisa excluiu o nome do próprio prefeito JHC, apesar de ele ser apontado como possível candidato ao cargo. Segundo a decisão, a omissão pode alterar a percepção pública sobre a competitividade de outros pré-candidatos.
A Justiça Eleitoral também apontou inconsistências na documentação apresentada no registro da pesquisa. O levantamento previa a realização de 1.200 entrevistas domiciliares em 13 municípios, mas declarou custo total de R$ 10 mil. Isso representa cerca de R$ 8,33 por entrevista — valor considerado incompatível com despesas de deslocamento, equipe e processamento de dados.
O processo seguirá agora para análise do Ministério Público Eleitoral, que deverá avaliar se houve irregularidades ou eventual crime eleitoral na divulgação do levantamento.



