Concorrência Simulada
Delegado-geral da PC de Alagoas é citado em esquema de fraudes em concursos
Investigação da PF revela que aliados do delegado foram beneficiados no CNU e Banco do Brasil
Uma operação contra fraudes em concursos públicos foi deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira, 17, com mandados de busca, apreensão e prisão preventiva em cidades de Alagoas, Paraíba e Pernambuco. A operação Concorrência Simulada tem como objetivo combater uma organização criminosa envolvida com fraudes em concursos públicos e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, os fraudadores utilizavam drones para captar as imagens da prova através das janelas dos locais de aplicação. As respostas eram transmitidas via ponto eletrônico para os candidatos. Contudo, a instituição não detalhou os locais de realização das provas.
A investigação abrange o Concurso Público Nacional Unificado (CNU/2024), provas do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Universidades Federais (como a da Paraíba - UFPB), e polícias civis de Pernambuco e Alagoas.
A investigação cita o envolvimento do delegado-Geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento na Orcrin, uma organização criminosa estruturada.
Segundo o juiz federal Manoel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, o delegado de Alagoas teria ameaçado pessoas para que fraudes fossem cometidas e beneficiassem aliados. Entre os nomes citados aparecem Aially Soares Tavares Pinto Xavier, no Concurso Nacional Unificado, e Mércio Xavier Costa do Nascimento, no concurso do Banco do Brasil.
Matéria publicada no UOL afirma que Gustavo Xavier, foi apontado em colaboração premiada de Thyago José de Andrade, que afirmou que ele passou a exercer poder de comando na organização ao coagir integrantes, mediante ameaças, a realizar fraudes em benefício de seus aliados.
O delegado é suspeito de ter determinado fraudes para aprovar sua esposa no CNU 2024 para o cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho, e seu irmão aprovado em concursos do Banco do Brasil (2023) e da Prefeitura de Arapiraca. Além deles, a esposa de seu "braço direito", o policial civil Eudson Matos, também teria sido aprovada na Polícia Científica de Alagoas por determinação de Xavier.
Eudson está detido na Central de Flagrantes de Maceió, onde o mandado de busca foi cumprido na terça. Ele teve prisão decretada em abril pela Vara Criminal de Várzea Grande (MT), acusado de tentativa de assassinato do empresário Adriano César Barreto. Também responde a uma acusação de assassinato em Alagoas.
Uma das modalidades citadas pela PF é o uso de um "clone", que eram pessoas com maior conhecimento técnico contratadas para realizar o exame no lugar dos inscritos. O esquema, segundo a PF, envolvia a falsificação de documentos de identidade, em que a foto do verdadeiro candidato era substituída pela do "clone", que era quem fazia a prova.
Esse método foi apontado em pelo menos dois casos envolvendo a aprovação do irmão do delegado-geral nos concursos do Banco do Brasil e da Prefeitura de Arapiraca.
Candidatos que obtiveram notas suspeitas (idênticas em dezenas de questões) foram afastados de cargos que já ocupavam e outros tiveram a aprovação cancelada, segundo a PF. Os suspeitos denunciados na operação poderão responder por crimes como fraude em concurso público, concussão, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No total, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, além de 2 de prisão preventiva. Servidores públicos de alto escalão que atuavam junto ao grupo estão entre os alvos dos mandados. A reportagem do Extra aguarda pronunciamento da Polícia Civil sobre o caso.



