Em Maceió
Médicos obstetras do Hospital da Cidade pedem demissão coletiva
Afastamento entra em vigor no dia 12, envolve cerca de 40 profissionais e pode fechar maternidade
Médicos obstetras que atuam na maternidade do Hospital da Cidade (HC), em Maceió, solicitaram desligamento coletivo com vigor a partir do próximo dia 12 deste mês. A informação é do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), que publicou nota oficial em suas redes sociais nesta quarta-feira, 1º de abril.
Segundo o sindicato, a demissão coletiva - envolvendo cerca de 40 médicos dessa especialidade- é uma resposta às recentes decisões da gestão Maceió Saúde. Após quase dois anos de serviço, a equipe médica enfrentou uma tentativa de redução de plantonistas - de três para dois. Embora a gestão da Maceió Saúde tenha reconsiderado o número de profissionais após tratativas, os médicos afirmam que foi lançado um aditivo ao edital 05/25 que diminui consideravelmente a remuneração da categoria.
“Estes profissionais atendem risco habitual e alto risco, o que exige rigor técnico, experiência e habilidade para garantir segurança às mães e bebês. Não é justo que sejam tratados com demérito, desabafou a presidente do Sinmed, Sílvia Melo, ratificando total apoio aos colegas.
De acordo com a medica, a proposta fere a dignidade médica. Para profissionais contratados via Pessoa Jurídica (PJ), sem garantias trabalhistas, essa redução salarial é considerada "uma afronta à dignidade da especialidade", diz a categoria.
A unidade é um pilar fundamental da rede de saúde, realizando entre 200 e 270 partos mensais. Além dos nascimentos, a equipe é responsável por internamentos clínicos, observação e atendimento a demandas de risco habitual e alto risco. "A complexidade dessa operação exige uma equipe robusta, técnica e, acima de tudo, valorizada", enfatizam os profissionais.
Segundo os profissionais do HC, todas as tentativas de diálogo foram esgotadas. A equipe médica lamenta o desligamento, mas reafirma que a desvalorização tornou a continuidade do trabalho insustentável.
"O Sinmed/AL segue ao lado dos obstetras, defendendo que a segurança de mães e bebês depende diretamente do respeito aos direitos e às condições de trabalho do médico", diz a publicação do sindicato. A reportagem do Extra entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, mas não obteve retorno. Porém, o espaço segue aberto para esclarecimento da situação e das providências que serão adotadas.



