ECONOMIA
BC não descarta liquidar o BRB e crise pode ter reflexos em Maceió
Folha de servidores, investimentos previdenciários e depósitos judiciais entram no debate
O Banco Central pretende esgotar todas as alternativas para tentar reequilibrar o Banco de Brasília (BRB), mas não descarta a liquidação ou intervenção no banco. Essa possibilidade coloca em evidência contratos públicos e operações financeiras que envolvem a prefeitura de Maceió e contratos mantidos com o Judiciário estadual.
De acordo com o Estadão, o caso do BRB deve seguir o mesmo rito aplicado recentemente ao Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi determinada pela autoridade monetária. A avaliação do Banco Central ocorre após o BRB deixar de divulgar demonstrações contábeis trimestrais pela segunda vez seguida e diante de questionamentos sobre impactos de operações envolvendo ativos do Banco Master.
Em Maceió, o tema ganha relevância porque o Banco de Brasília passou a operar a folha de pagamento dos servidores da prefeitura em 2025, após vencer o processo para assumir a movimentação dos salários do funcionalismo municipal. Em caso de intervenção ou liquidação do banco, contratos desse tipo costumam ser transferidos para outra instituição financeira sem interrupção dos pagamentos, mas a possibilidade de mudança operacional passa a ser acompanhada pela gestão municipal.
A crise envolvendo o BRB ocorre no contexto das repercussões da liquidação do Banco Master, com o qual o banco manteve operações financeiras. O tema já havia repercutido em Maceió após a divulgação de que o Maceió Previdência possui cerca de R$ 97 milhões aplicados em letras financeiras emitidas pelo Master, títulos que não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e cuja recuperação depende do processo de liquidação da instituição. À época, o instituto informou que acompanha o caso junto aos órgãos reguladores e garantiu a manutenção do pagamento a aposentados e pensionistas.
Outro ponto de conexão com a capital alagoana envolve o Tribunal de Justiça de Alagoas, que mantém contratos com o Banco de Brasília para processamento da folha e gestão de depósitos judiciais. O tribunal afirma que monitora a execução dos contratos e que não há registros de irregularidades ou prejuízos, destacando que esses valores não integram o patrimônio do banco e permanecem sob custódia judicial, embora o tema também esteja sendo acompanhado pelo Conselho Nacional de Justiça, que solicitou esclarecimentos a tribunais que mantêm operações desse tipo com a instituição.



