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Três anos depois, sobreviventes cobram Justiça por tragédia na Lagoa Mundaú

Audiência de instrução será realizada nesta quarta-feira em Marechal Deodoro
Por Assessoria 15/04/2026 - 09:20
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Na embarcação atingida estavam Joel Juvêncio Albino, além de seus funcionários José Cícero da Silva e Benedito dos Santos
Na embarcação atingida estavam Joel Juvêncio Albino, além de seus funcionários José Cícero da Silva e Benedito dos Santos

Após mais de três anos marcados por espera, dor e silêncio, o caso do grave acidente náutico ocorrido em 24 de fevereiro de 2023, na Lagoa Mundaú, volta ao centro das atenções. Nesta quarta-feira, 15, às 11h, será realizada, no Fórum de Marechal Deodoro, a audiência de instrução que apura a colisão envolvendo uma embarcação do Bar do Joel, episódio que comoveu Alagoas e deixou marcas profundas nos sobreviventes e nas famílias das vítimas.

Na embarcação atingida estavam Joel Juvêncio Albino, além de seus funcionários José Cícero da Silva e Benedito dos Santos. Os três foram socorridos em estado grave. José Cícero e Benedito não resistiram aos ferimentos. Joel sobreviveu, mas carrega até hoje, no corpo e na memória, as consequências da tragédia.

A audiência ocorre após mais de três anos de tramitação e é vista pelas vítimas e seus familiares como um passo decisivo para que o caso avance. O Ministério Público ofereceu denúncia por homicídio culposo, sustentando que não houve intenção de matar. Entretanto, a tese defendida pelas vítimas e pelos assistentes de acusação é diversa. Para a assistência, os elementos reunidos até o momento apontam para homicídio e tentativa de homicídio dolosos, na modalidade de dolo eventual.

Segundo essa linha de acusação, a forma de condução da moto aquática, a velocidade empregada, o risco assumido e as circunstâncias do local demonstram que o acusado teria assumido conscientemente a possibilidade de produzir o resultado. A assistência ressalta, ainda, que o condutor é policial, pessoa treinada, conhecedora da lei, habituada à avaliação de risco e plenamente capaz de compreender as consequências de uma pilotagem perigosa.

Para os representantes das vítimas, não se trata de um simples acidente ou de uma fatalidade inevitável. A conduta atribuída ao acusado teria criado um risco extremo e desnecessário, incompatível com a segurança exigida em uma área de navegação compartilhada.

No acompanhamento do caso, Joel Juvêncio Albino passou a ser representado pelos advogados criminalistas Joanísio Omena e Kyvia Maciel, que assumiram a assistência de acusação. De acordo com os advogados, Joel não é apenas sobrevivente de uma colisão: ele é vítima e testemunha direta de um episódio que destruiu vidas, interrompeu histórias e abalou profundamente a comunidade ligada à Lagoa Mundaú.

À época dos fatos, Joel afirmou que a colisão poderia ter sido evitada. Segundo seu relato, as condições de visibilidade e as circunstâncias da navegação permitiam que a embarcação fosse percebida a tempo, tornando possível evitar o impacto.

“A denúncia do Ministério Público foi por homicídio culposo, mas a assistência entende que os fatos revelam homicídio e tentativa de homicídio dolosos, por dolo eventual. Quem conduz uma moto aquática daquela forma, em alta velocidade e em condições de evidente risco, assume a possibilidade de matar. Vamos perseguir essa desclassificação até o final do processo”, sustentam os advogados da vítima.

Mais do que um ato processual, a audiência de hoje representa um momento aguardado há anos por quem convive diariamente com a dor, a indignação e a esperança de que a Justiça dê uma resposta compatível com a gravidade da tragédia.


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