Greve no Veredas

MPF cogita bloqueio de contas do governo do estado para pagar hospital

Representantes dos funcionários mencionam dívida de R$ 10 milhões da Sesau com a unidade hospitalar
Por Redação com MPF/AL 29/04/2026 - 13:04
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Reprodução
Reunião do MPF com representantes dos profissionais do Hospital Veredas
Reunião do MPF com representantes dos profissionais do Hospital Veredas

O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas anunciou nesta quarta-feira, 29, que vai oficiar o Estado de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, para obter informações atualizadas sobre os repasses financeiros devidos ao Hospital Veredas, em Maceió, e orientar a atuação institucional no caso. As procuradoras da República Júlia Cadete e Roberta Lima Barbosa Bomfim avaliam, inclusive, a adoção de medidas judiciais, como eventual pedido de bloqueio de valores, caso haja descumprimento das obrigações por parte do Estado.

Na última segunda-feira, 27, representantes dos trabalhadores do Hospital Veredas estiveram reunidos com as procuradoras para discutir a situação dos funcionários da unidade diante de atrasos no pagamento da folha salarial, provocado, segundo o MPF, em razão de atraso no repasse de recursos pela SESAU. O encontro também serviu para discutir o andamento do processo de reestruturação da unidade hospitalar.

De acordo com os representantes dos funcionários, há valores em aberto devidos ao Hospital pelo Estado de Alagoas que somam cerca de R$ 10 milhões, relativos à produção já realizada. Outros R$ 3 milhões já teriam sido repassados para que o Hospital utilizasse no pagamento da folha de março/2026. 

A categoria busca a regularização dos pagamentos, conforme proposto anteriormente pelo Hospital de competências do ano de 2025, como condição para o encerramento da paralisação parcial das atividades. Atualmente, profissionais da enfermagem atuam em regime de escala emergencial, o que, segundo os trabalhadores, tem gerado sobrecarga física e mental, além de impactos no atendimento aos pacientes.

Os trabalhadores solicitaram apoio institucional do MPF nas tratativas com o governo Paulo Dantas, visando ao cumprimento dos acordos firmados e à regularização dos repasses. A normalização dos pagamentos é apontada como medida necessária para a retomada integral dos serviços e a estabilização do funcionamento da unidade.

A atuação do MPF ocorre no âmbito do acompanhamento do cumprimento de sentença na ação civil pública nº 0808719-75.2024.4.05.8000, que trata da intervenção judicial no hospital, bem como das obrigações estabelecidas em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O trabalho é conduzido pelas procuradoras da República Roberta Bomfim e Júlia Cadete, com atuação conjunta do procurador regional dos direitos do cidadão, Bruno Lamenha.

A reunião integra uma série de agendas conduzidas pelo MPF com diferentes atores envolvidos na gestão e no funcionamento do hospital, incluindo a atual gestão interventora, que já apresentou plano de reestruturação organizacional e reposicionamento estratégico da unidade. O documento prevê medidas voltadas à reorganização administrativa, ao equilíbrio financeiro e à melhoria dos processos internos.

No contexto do acompanhamento, o MPF tem reforçado a importância da retomada gradual das atividades, de forma responsável e dialogada, como condição para a recuperação financeira do hospital, a manutenção dos serviços prestados à população e a preservação dos postos de trabalho.


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