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Advogada cria jogo que traduz Lei Maria da Penha em linguagem acessível

Círculo de Proteção amplia alcance da informação qualificada
Por Assessoria 30/04/2026 - 09:38
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Advogada destaca que a criação do jogo está diretamente ligada à sua trajetória
Advogada destaca que a criação do jogo está diretamente ligada à sua trajetória

Um jogo que transforma a Lei Maria da Penha em decisões práticas e ajuda a identificar situações de violência que muitas vezes passam despercebidas. Essa é a proposta do “Círculo de Proteção – Caminhos para romper o ciclo da violência”, desenvolvido pela advogada criminalista alagoana Amanda Montenegro, com foco na aplicação direta do Direito no cotidiano de mulheres em situação de violência.

A professora e pesquisadora Andrea Marques Vanderlei Fregadolli, colaborou no desenvolvimento do material. A iniciativa parte de um problema recorrente no sistema de justiça: a dificuldade de compreensão, por parte das vítimas, sobre como identificar a violência e acessar mecanismos de proteção. Ao transformar conceitos jurídicos em uma dinâmica interativa, o jogo busca preencher essa lacuna e ampliar o alcance da informação qualificada.

“O sistema de proteção existe, mas muitas mulheres não conseguem acessá-lo porque ele ainda é pouco compreendido. O jogo nasce como uma ponte entre o Direito e a vida real”, afirma Amanda Montenegro. A ferramenta foi construída a partir do livro “Violência Doméstica sob a Ótica da Defesa Estratégica”, lançado pela advogada no último sábado (25), no Teatro Gustavo Leite, durante a programação do Vox Criminal. A obra reúne fundamentos penais, medidas protetivas e soluções cíveis integradas, com base na experiência profissional e pessoal da autora.

Reconhecimento da violência

Segundo Amanda, o jogo traduz, em linguagem acessível, dispositivos da Lei Maria da Penha, especialmente o artigo 7º, que define as diferentes formas de violência doméstica. “A proposta é que a pessoa consiga reconhecer, de forma concreta, situações que muitas vezes são naturalizadas, mas que têm relevância jurídica”, explica.

Na prática, o “Círculo de Proteção” apresenta cenários que conectam condutas a tipos penais, como ameaça, perseguição, lesão corporal e crimes contra a honra, além de destacar o papel das medidas protetivas de urgência como instrumentos centrais para interromper o ciclo da violência.

A advogada também destaca que a criação do jogo está diretamente ligada à sua trajetória. Em declaração, ela afirma que sua atuação é atravessada pela vivência e pela percepção das fragilidades do sistema de justiça. Amanda sustenta que essa experiência permitiu desenvolver estratégias mais eficazes e sensíveis às complexidades dos casos.

“Eu não falo apenas como advogada. Falo como quem conhece o outro lado do processo. Isso muda a forma de pensar a defesa e, principalmente, a proteção”, diz.

Atuação em rede

Além do caráter educativo, o jogo reforça a importância da atuação em rede, envolvendo justiça, segurança pública, saúde e assistência social. Para Amanda, enfrentar a violência doméstica exige uma resposta integrada. Ela critica abordagens fragmentadas e defende que a informação qualificada é um dos primeiros passos para romper o ciclo.

Com o lançamento, o “Círculo de Proteção” passa a ser apresentado como uma ferramenta de educação jurídica aplicada, com potencial de uso em escolas, instituições e projetos sociais. “A expectativa é ampliar o debate sobre violência doméstica e facilitar o acesso a informações que podem ser decisivas para a proteção de mulheres”, conclui a advogada.

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