SAÚDE

Inflamação silenciosa pode travar o emagrecimento, alerta especialista

Mesmo com dieta e exercícios, desequilíbrios no organismo podem dificultar a perda de peso
Por Assessoria 08/05/2026 - 18:43
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Assessoria
Com mais de 20 anos de experiência, Eline tem atuação voltada ao emagrecimento
Com mais de 20 anos de experiência, Eline tem atuação voltada ao emagrecimento

Seguir uma alimentação balanceada, manter regularidade na prática de atividade física e, ainda assim, não observar mudanças no peso ou na composição corporal é uma realidade cada vez mais comum. Por trás dessa dificuldade, um fator pouco percebido pode estar em ação: a inflamação silenciosa, um processo contínuo no organismo que interfere diretamente no metabolismo e compromete os resultados.

A chamada inflamação de baixo grau ocorre quando o sistema imunológico permanece ativado de forma constante, mesmo na ausência de infecções ou doenças agudas. Esse estado inflamatório não provoca sintomas evidentes, como dor ou febre, o que dificulta sua identificação no dia a dia. Ainda assim, seus efeitos podem ser significativos, especialmente quando o objetivo é o emagrecimento.

De acordo com a médica nutróloga Eline Soriano, esse tipo de inflamação impacta funções essenciais do organismo. “Mesmo quando há esforço com dieta e exercício, o corpo pode não responder como esperado. Isso acontece porque o estado inflamatório interfere na regulação hormonal, na sensibilidade à insulina e no metabolismo como um todo”, explica.


Entre os sinais mais comuns, embora inespecíficos, estão cansaço persistente, sensação de inchaço, retenção de líquidos, dificuldade de concentração e até ganho de peso sem mudanças significativas na rotina. Esses sintomas costumam ser atribuídos ao estresse ou à correria do dia a dia, o que contribui para que o quadro permaneça sem investigação.

A inflamação silenciosa também está associada a alterações metabólicas importantes, como resistência à insulina e acúmulo de gordura abdominal. Esses fatores tornam o processo de emagrecimento mais lento e, em alguns casos, dificultam a evolução mesmo com estratégias consideradas adequadas.

Diversos aspectos do estilo de vida moderno contribuem para esse cenário. Alimentação rica em produtos ultraprocessados, consumo elevado de açúcar, sedentarismo, noites mal dormidas e estresse crônico estão entre os principais gatilhos. Além disso, intolerâncias alimentares também podem exercer um papel relevante.

Segundo a especialista, quadros como a intolerância à lactose podem manter o organismo em estado inflamatório constante. “Quando há consumo frequente de alimentos que o corpo não tolera bem, como leite e derivados, pode ocorrer uma resposta inflamatória contínua. Muitas vezes, isso se manifesta com sintomas digestivos, mas também pode impactar o metabolismo e dificultar o emagrecimento”, afirma.

Apesar de silenciosa, a inflamação pode ser identificada por meio de exames laboratoriais. Marcadores como proteína C-reativa, ferritina, velocidade de hemossedimentação e alterações em glicemia e insulina ajudam a indicar esse desequilíbrio. Mesmo mudanças discretas nesses indicadores já merecem atenção, principalmente quando associadas a sintomas ou dificuldade de resposta do organismo.

O avanço de doenças crônicas reforça a relevância do tema. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que condições como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares estão entre os principais desafios de saúde pública e têm forte relação com hábitos de vida e processos inflamatórios persistentes.

A boa notícia é que esse quadro pode ser revertido com ajustes consistentes no estilo de vida. A adoção de uma alimentação baseada em alimentos naturais, a prática regular de atividade física, o sono adequado e o controle do estresse são medidas fundamentais para reduzir a inflamação e restabelecer o equilíbrio do organismo.

Mais do que apostar em dietas restritivas, a avaliação individualizada é essencial para identificar fatores que possam estar impedindo o progresso. “O emagrecimento não depende apenas de reduzir calorias. É necessário entender como o organismo está funcionando e tratar as causas que estão por trás da dificuldade de evolução”, conclui Eline Soriano.

Sobre a especialista - Dra. Eline de Almeida Soriano é médica nutróloga, formada em Nutrologia pela USP e especialista titulada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Atualmente é membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Federal de Medicina (CFM). Atuou por 19 anos como professora e coordenadora dos cursos de Nutrologia da ABRAN, em São Paulo. É professora universitária da disciplina de Nutrologia no CESMAC, além de professora e CEO da Inovanutro Educação Médica.

Com mais de 20 anos de experiência, tem atuação voltada ao emagrecimento, promoção do bem-estar e atende em seu consultório localizado na Rua Dr. José Afonso de Melo, 118, sala 305, no Harmony Trade Center, no bairro de Jatiúca, em Maceió. Mais informações em @draelinesoriano.


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