mercado de trabalho

Entidade vê proposta de jornada por horas como alternativa ao fim da 6x1

Flexibilização com remuneração proporcional foi apresentada pelo senador Rogério Marinho
Assessoria
Abrasel vê proposta de jornada por horas como alternativa à proibição da escala 6x1
Abrasel vê proposta de jornada por horas como alternativa à proibição da escala 6x1

A Abrasel avalia como uma alternativa positiva a proposta apresentada no Senado que permite ao trabalhador optar por um regime de jornada baseado em horas trabalhadas. A medida surge como uma forma de viabilizar o debate sobre a organização da jornada, ao abrir espaço para atender, ao mesmo tempo, às necessidades dos trabalhadores e às características de setores com funcionamento contínuo ou com forte variação de demanda. A proposta já foi apresentada e acolhida pela casa com o apoio de 36 senadores, número que deve ser ampliado com a coleta de novas assinaturas.

Na avaliação da entidade, o texto de iniciativa do senador Rogério Marinho introduz um elemento novo ao permitir que o próprio trabalhador escolha entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e uma jornada flexível, com remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas e preservação dos direitos trabalhistas.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, a proposta responde a uma demanda crescente por maior flexibilidade na relação de trabalho. Segundo ele, a possibilidade de definir a jornada conforme as necessidades individuais pode beneficiar tanto quem busca mais tempo disponível quanto quem deseja ampliar a renda. “A proposta permite que o trabalhador participe da escolha e ajuste sua jornada de acordo com seus objetivos, seja priorizar a família, organizar melhor a rotina ou ampliar a renda, sem abrir mão de direitos”, afirma.

O texto em discussão no Senado estabelece que o valor da hora trabalhada deve respeitar um piso vinculado ao salário mínimo ou à remuneração da categoria, além de prever que benefícios como férias, décimo terceiro salário e FGTS sejam calculados de forma proporcional à carga horária.

Outro ponto destacado pela Abrasel é a possibilidade de formalizar arranjos de jornada mais flexíveis por meio de contrato, inclusive com previsão de acordos individuais, o que, na visão da entidade, já reflete práticas existentes no setor, mas que nem sempre encontram segurança jurídica suficiente.

A entidade faz fortes ressalvas ao modelo aprovado na Câmara, que, segundo sua avaliação, ao proibir de forma ampla a escala 6x1 e limitar as possibilidades de organização da jornada, reduz a capacidade de adaptação das empresas e desconsidera a diversidade de preferências dos próprios trabalhadores. Para a Abrasel, essa abordagem pode acabar restringindo oportunidades para quem deseja jornadas mais flexíveis ou maior volume de horas, além de dificultar a organização de serviços essenciais e atividades com picos de demanda, com impacto potencial sobre a geração de empregos formais.

Solmucci afirma que o debate precisa considerar os efeitos práticos sobre o mercado de trabalho. “Quando a legislação não acompanha a realidade da operação, o resultado costuma ser menos contratação formal. Tanto que nenhum país do mundo adota em lei a proibição da escala 6x1. O desafio é garantir proteção sem engessar”, diz.

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