Segurança Pública

Superlotação em presídios de Alagoas sobe e excedente chega a 1.718 presos

Lotação atual é de 6.217 detentos para 4.499 vagas, segundo dados do Geopresídios do CNJ
Divulgação
Presídio Baldomero Cavalcante, no Tabuleiro do Martins, em Maceió
Presídio Baldomero Cavalcante, no Tabuleiro do Martins, em Maceió

Os presídios brasileiros aumentaram a superlotação nos últimos 6 meses, com a taxa de ocupação passando de 150,3% para 161,7%. Dados do Geopresídios, do Conselho Nacional de Justiça, até a última sexta-feira, dia 12, os presídios tinham um déficit de 298.875 vagas. Em Alagoas, o sistema prisional aparece nos dados com capacidade total para 4.499 pessoas, mas a lotação é de 6.217, o que significa um excedente de 1.718 detentos sobre a capacidade.

A maioria da população carcerária no estado, um total de 3.313 pessoas ou 53,3%, cumpre prisão preventiva [aguarda julgamento] e outros 2.895 (46,6%) cumprem pena em regime fechado. No total, 96,4% da população de presos no estado são homens (6.176 pessoas), enquanto 3,6% são do sexo feminino (230 pessoas).

No Brasil, os 1.836 estabelecimentos prisionais visitados pelo CNJ no último trimestre de 2025 aponta a existência de 726.149 pessoas privadas de liberdade no país para 483.258 vagas, o que resulta na taxa de ocupação de 150,3%. Em 2026, o número de vagas aumentou um pouco e chegou a 484.016, alta de 0,16% em relação aos 6 meses anteriores. Já a população carcerária subiu para 782.891 pessoas, crescimento de 7,81% no mesmo período.

A diferença entre número de pessoas presas e vagas ofertadas pelo sistema penitenciário subiu de 242.891 em dezembro de 2025 para 298.875 em junho de 2026

A superlotação dos presídios é uma preocupação apontada por críticos à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 32 de 2015, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados na última quarta-feira, dia 10.

Antes de ser avaliada pelo plenário, a proposta será analisada por uma Comissão Especial temporária. O site Poder 360 ou o professor de direito da USP e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência sobre o assunto. O especialista avalia que uma possível aprovação da medida pode levar ao aumento da superlotação. “Os países que têm maiores taxas de encarceramento não diminuem a violência e, muitas vezes, só aumentam”, disse Blotta. 


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