saúde

Tirzepatida e exageros nas festas juninas podem sobrecarregar o organismo

Médica nutróloga, Eline Soriano, destaca possíveis desconfortos gastrointestinais
Assessoria
Festas juninas são um verdadeiro mergulho na cultura popular nordestina
Festas juninas são um verdadeiro mergulho na cultura popular nordestina

Com a popularização dos medicamentos à base de tirzepatida para tratamento da obesidade e controle do diabetes, cresce também o alerta para os cuidados durante os períodos de celebração, como os festejos juninos. A combinação entre o uso da medicação, consumo de bebidas alcoólicas e excesso de alimentos ricos em gordura e açúcar pode aumentar o risco de desconfortos gastrointestinais, alterações metabólicas e outros problemas de saúde.

A médica nutróloga Eline Soriano explica que pacientes em tratamento com medicamentos como a tirzepatida precisam compreender que o organismo passa por mudanças durante o uso da substância, principalmente relacionadas ao controle da fome, digestão e esvaziamento gástrico.

“A tirzepatida atua em mecanismos hormonais relacionados à saciedade e também reduz a velocidade com que o alimento deixa o estômago. Quando a pessoa associa a medicação ao consumo elevado de álcool e alimentos mais pesados, como frituras, doces e preparações típicas das festas juninas, o organismo pode apresentar maior dificuldade para lidar com esses estímulos”, explica a especialista.

Os medicamentos à base de tirzepatida, como o Mounjaro, são agonistas de receptores de hormônios chamados GLP-1 e GIP, que participam da regulação da glicose e da saciedade. Por isso, durante o tratamento, é comum que alguns pacientes apresentem efeitos gastrointestinais, como náuseas, refluxo, sensação de estômago cheio e desconforto abdominal.

Segundo Eline Soriano, o consumo de álcool durante o tratamento exige atenção, principalmente quando associado a longos períodos sem alimentação adequada ou a refeições muito calóricas.


“O álcool pode contribuir para alterações na glicemia e, em algumas situações, aumentar o risco de mal-estar, tontura e indisposição. Além disso, como a medicação reduz o esvaziamento gástrico, a digestão pode ficar mais lenta, favorecendo sintomas como náuseas, vômitos e azia”, afirma.

A especialista também chama atenção para o risco de pancreatite, uma inflamação do pâncreas que pode estar associada a diferentes fatores, incluindo consumo excessivo de álcool. Embora seja uma condição incomum, pacientes em tratamento com medicamentos dessa classe devem procurar avaliação médica diante de sintomas como dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando acompanhada de vômitos.

“Não significa que toda pessoa que utiliza a medicação não possa participar de uma festa ou consumir determinados alimentos. O ponto principal é entender que o tratamento exige responsabilidade e acompanhamento médico. O excesso de álcool e alimentos muito gordurosos pode gerar uma sobrecarga para o organismo”, destaca a nutróloga.

Durante os festejos juninos, a médica recomenda que pacientes em tratamento mantenham uma alimentação equilibrada, evitem longos períodos em jejum, priorizem hidratação e tenham atenção aos sinais do corpo.

“O medicamento é uma ferramenta importante no tratamento da obesidade, mas ele não substitui hábitos saudáveis. O emagrecimento precisa acontecer com acompanhamento, planejamento alimentar e escolhas conscientes. Aproveitar as festas faz parte da vida, mas é fundamental cuidar da saúde durante todo o processo”, finaliza Eline Soriano.


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