Justiça
MPF abre inquérito e mira fornecedores de areia usada nas minas da Braskem
Investigação inclui a Alagoas Mineração Ltda, em Coruripe. Denúncia é mantida em sigilo
A operação da Braskem para fechar minas de sal-gema em Maceió ganhou um novo ruído jurídico. Segundo matéria publicada na Veja, o Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas abriu inquérito para apurar fornecedores da areia utilizada na estabilização do solo. A investigação mira a Alagoas Mineração Ltda, com sede no município de Coruripe.
O caso está sob a responsabilidade do Lucas Horta de Almeida, partiu de uma denúncia mantida em sigilo. A investigação quer saber se houve fraude ou dano ambiental na extração do material contratado pela petroquímica, que se manifestou sobre o tema através de nota superficial.
A empresa disse que "reitera seu compromisso com a sociedade alagoana, assim como o respeito e solidariedade para com os moradores afetados". Porém, só fará pronunciamento nos autos do processo. A Braskem ressalta que, desde o início das apurações, contribuiu, assim como seus integrantes, com as informações e esclarecimentos solicitados e garantiu que sempre atuou em conformidade com as leis e regulações do setor, informando e prestando contas regularmente às autoridades competentes", disse.
Para fechar minas, a Braskem utiliza areia para preencher os poços e conter o afundamento. Relatórios da Agência Nacional de Mineração (ANM) apontam que a mineradora levou quase dois anos para definir o fechamento da Mina 18, que colapsou em 2023, com o método usado em outros oito poços.
A agência acompanha desde 2020 o planejamento da mineradora para fechar as 35 cavidades que operavam às margens da Lagoa de Mundaú. A área operacional das minas da Braskem possui 187 hectares, incluindo regiões da laguna. A mineração em Maceió é formada por 35 frentes de lavra e, desde 2018, o principal trabalho tem sido o preenchimento gradual dessas cavidades com areia, processo conhecido como backfilling.
“Algumas cavidades ficam dentro da camada do sal e outras ficam fora. As que ficam fora estão sendo preenchidas com areia e devem terminar em 2027. Depois, começa o preenchimento das cavidades que estão na camada do sal”, explica Fábio Perlatti, responsável pela Gerência de Sustentabilidade e Fechamento de Mina da ANM.
Mesmo após o preenchimento das estruturas, o monitoramento deve continuar por décadas. Segundo os técnicos, o encerramento operacional não significa o fim do acompanhamento geotécnico da área.
Em julho do ano passado, a administração do Porto de Maceió confirmou que a Braskem importou cerca de 30 mil toneladas de areia, em fevereiro de 2025. A mineradora vinha comprando areia de vários fornecedores de Alagoas e de outros Estados para tamponar as minas desativadas a pedido dos órgãos ambientais.
No entanto, a empresa não prioriza a transparência no processo de compra do produto e tem recusado revelar os fornecedores, a quantidade adquirida e a origem da areia.
Quando a operação tamponamento começou, a partir de 2020, a Braskem vinha comprando areia da praia do Francês, mas como a extração foi suspensa a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a mineradora passou a comprar areia em outros municípios, a exemplo de Coruripe, Satuba e Feliz Deserto.



