Caldeirão do Huck

Justiça manda ex-dirigente do Manda Ver explicar destino de prêmio da Globo

Instituto afirma que não recebeu o valor nem teve acesso à prestação de contas
GShow
Ex-presidente de instituto terá de explicar prêmio do Caldeirão do Huck
Ex-presidente de instituto terá de explicar prêmio do Caldeirão do Huck

A Justiça determinou que Carlos Jorge, ex-presidente do Instituto Manda Ver, explique em 15 dias o uso de R$ 56.813 recebidos após sua participação no quadro The Wall, do Caldeirão do Huck. A decisão foi tomada pela 5ª Vara Cível da Capital, em Maceió, no dia 23 de julho.

Durante o programa, Carlos Jorge informou que o prêmio seria aplicado em ações do instituto no Vergel do Lago. A quantia seria usada em um polo de tecnologia e em atividades de cultura e esporte mantidas pela entidade em Maceió.

Segundo os autos, o pagamento foi feito ao outro participante da dupla. A transferência ocorreu no dia 10 de janeiro de 2020, para uma conta em nome do então dirigente. O Instituto Manda Ver, no entanto, afirma que não recebeu o valor nem teve acesso à prestação de contas.

Na ação, a entidade também pediu que a quantia fosse convertida em indenização e que o ex-presidente fosse retirado de seus quadros. Esses pedidos ainda aguardam decisão.

Nos autos, Carlos Jorge sustentou que o contrato com a emissora foi assinado em seu nome e que o prêmio pertencia a ele. Também declarou ter repassado parte do dinheiro a integrantes do instituto e afirmou que deixou mais de R$ 1 milhão nas contas da organização ao encerrar sua gestão.

A defesa contestou o uso de um comprovante de banco juntado ao processo, mas o juiz afirmou que não foram apresentados elementos para comprovar a alegação sobre a origem do documento.

Ao julgar o caso, o magistrado entendeu que a ida ao programa ocorreu em razão das atividades do Manda Ver e que Carlos Jorge se apresentou como representante da entidade. Para a Justiça, a promessa anunciada durante a atração criou o dever de explicar o destino do dinheiro.

O processo teve uma sentença, em setembro de 2024, que determinava o pagamento de R$ 56.813 ao instituto. O Tribunal de Justiça de Alagoas anulou a decisão, em junho de 2025, porque a citação havia sido recebida por outra pessoa.

Com o retorno à primeira instância, a 5ª Vara reconheceu o dever de prestar contas e condenou o ex-presidente ao pagamento das custas e de R$ 2 mil em honorários. A decisão pode ser alvo de recurso.

Outro lado

Após a decisão, Carlos Jorge afirmou que apresentará sua versão e que seguirá buscando reverter o caso. Ele acusou a gestão do instituto de vender um imóvel, encerrar projetos e enfrentar ações na Justiça do Trabalho, além de questionamentos sobre a compra de outro imóvel.

O ex-presidente também disse que há pedidos para que retorne à entidade e classificou o processo como perseguição. As declarações foram divulgadas por ele após a decisão. Veja a nota na íntegra:

Em breve, trago todas as informações e o contexto de tudo o que aconteceu pessoal. Uma coisa preciso fazer, lutar por justiça até o fim. Uma lição aprendi, seu inimigo pode está morando em sua casa. Entreguei à instituição linda e cheia de parcerias para atual gestão. Hoje a organização está sendo arrasada, com imóvel vendido, projetos fechados, e um povo que clama que eu volte para a instituição. Hoje a organização sofre com processos trabalhistas, processos na justiça devido a compra de imóvel de forma duvidosa, e o povo questionando toda dia a reputação da atual gestão. Meu filho Mandaver vou lutar por você até fim, nenhuma perseguição vai me fazer parar!


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