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Petrobras amplia crédito da Braskem e dá fôlego de até R$ 2,35 bilhões

Novo limite permite à petroquímica postergar por até 30 dias pagamentos à estatal
Divulgação/Braskem
Braskem
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A Petrobras ampliou de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões o limite de crédito comercial concedido à Braskem para a compra de matérias-primas, principalmente nafta. A medida dá maior fôlego ao caixa da petroquímica em um momento de elevado endividamento e de necessidade de recursos para financiar a subsidiária mexicana Braskem Idesa.

O novo limite, inicialmente válido até dezembro, permite que a Braskem utilize efetivamente o prazo de até 30 dias para pagar as compras realizadas junto à Petrobras. Antes, apesar de o contrato já prever esse período, o teto de apenas R$ 350 milhões obrigava a companhia a fazer pagamentos em intervalos menores para continuar adquirindo matéria-prima.

Segundo a Petrobras, as compras mensais da Braskem superam significativamente o antigo limite. Na prática, a petroquímica precisava liquidar parte das operações a cada quatro ou cinco dias para não ultrapassar o crédito disponível.

Com a ampliação para R$ 2,35 bilhões, a companhia passa a contar com maior margem para administrar seu capital de giro. Analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliam que o mecanismo representa um importante alívio financeiro, embora não signifique a entrada imediata de dinheiro novo no caixa.

O reforço ocorre em um momento especialmente delicado para a Braskem. Em julho, a petroquímica possuía cerca de US$ 1 bilhão em caixa e, no mês seguinte, concordou em desembolsar US$ 230 milhões para a Braskem Idesa, subsidiária que pediu proteção contra credores nos Estados Unidos por meio do Chapter 11, mecanismo semelhante à recuperação judicial brasileira.

O compromisso total da Braskem com a operação mexicana chega a US$ 476 milhões, por meio de financiamento do tipo DIP, utilizado para manter empresas funcionando durante processos de reestruturação. Aproximadamente US$ 126 milhões já haviam sido disponibilizados antes do pedido de Chapter 11. Outros US$ 230 milhões foram previstos para desembolso imediato e o restante deverá ser enviado em até seis meses.

O acordo com a Petrobras, portanto, ajuda a Braskem a recompor gradualmente parte da disponibilidade financeira comprometida com a operação mexicana.

A concessão do limite, entretanto, não ocorreu sem contrapartidas. Entre as garantias oferecidas pela Braskem está a cessão fiduciária de aproximadamente R$ 1 bilhão por mês em direitos creditórios de clientes. Isso significa que valores que a petroquímica tem a receber funcionam como garantia para a Petrobras.

O movimento acontece também enquanto a Braskem negocia uma recuperação extrajudicial diante de uma dívida estimada em R$ 56 bilhões. Credores acompanham com atenção os recursos destinados à subsidiária mexicana, uma vez que o financiamento concedido à Idesa acrescenta novas operações financeiras em meio ao processo de reestruturação.

Nos bastidores, segundo o Estadão/Broadcast, a avaliação é de que a Petrobras estaria mais disposta a buscar sinergias com a Braskem após as recentes mudanças no controle da petroquímica. A expectativa é de que uma relação comercial mais próxima possa contribuir para reduzir custos e melhorar a rentabilidade da companhia.

A Petrobras ressaltou que não houve mudança no contrato regular de fornecimento nem aumento dos volumes contratados. A alteração ocorreu especificamente no teto do crédito comercial, permitindo que o prazo de até 30 dias, que já existia, possa ser utilizado de maneira mais ampla pela Braskem.

Procurada pelo Estadão/Broadcast, a Braskem não comentou o assunto.

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