justiça

Câmara Criminal mantém duas prisões ligadas à Operação Metamorfo

Desembargador negou a liberdade de Robert Kennedy e Claudevan de Souza
Bianca Amâncio
Tribunal de Justiça de Alagoas
Tribunal de Justiça de Alagoas

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) manteve as prisões preventivas de Robert Kennedy Lacerda de Lima e Claudevan de Souza, investigados no contexto da Operação Metamorfo. Os dois estão presos desde 11 de dezembro de 2025, quando foi deflagrada a segunda fase da operação, e tentaram obter a liberdade por meio de habeas corpus. A decisão consta do Diário Eletrônico da Justiça desta quarta-feiira, 2.

Os pedidos urgentes foram negados pelo desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, da Câmara Criminal.  No caso de Robert Kennedy, a investigação o aponta como suposto gerente local ligado a uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas. Segundo os autos, ele teria mantido contato com outros investigados e participado de movimentações financeiras relacionadas ao grupo.

A defesa argumentou que, durante o cumprimento dos mandados, não foram encontradas drogas, armas, munições, dinheiro ou outros materiais ilícitos na residência ou no veículo de Robert. Também alegou que a investigação já foi concluída e que outros investigados tiveram as prisões substituídas por medidas menos severas. Mesmo assim, o relator entendeu que não havia, neste momento, motivo suficiente para determinar a soltura.

Claudevan de Souza também teve o pedido de liberdade negado. A defesa apontou um erro em uma decisão anterior, que teria atribuído a ele uma regressão de regime pertencente a outro investigado. O desembargador reconheceu a inconsistência, mas considerou que ela, sozinha, não era suficiente para derrubar a prisão.

Segundo a decisão, permanecem outros elementos que indicariam risco de repetição de crimes e justificariam, neste momento, a manutenção da medida. O TJAL também levou em consideração a complexidade da investigação, que envolve vários suspeitos, análise de dados de celulares, movimentações financeiras, buscas, apreensões e perícias.

Os habeas corpus ainda não foram julgados de forma definitiva. As decisões negaram apenas os pedidos de soltura imediata. Os processos seguem em tramitação na Câmara Criminal e ainda passarão por novas análises. A Operação Metamorfo investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. 

A Operação Metamorfo investiga uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro, em uma apuração iniciada pela Polícia Federal em Alagoas, em 2024. Segundo a PF, o caso começou após a descoberta de um homem que utilizava identidade falsa e que, mesmo preso, continuaria operando o esquema de tráfico e movimentando recursos por contas bancárias abertas com documentos falsos. 

A primeira fase foi deflagrada em abril de 2025, seguida por novas etapas em dezembro daquele ano e abril de 2026. A ação mais recente ocorreu em 22 de julho deste ano, quando a PF deflagrou a quarta fase e cumpriu 15 mandados de busca e apreensão na região metropolitana de Aracaju, além de diligências em Tobias Barreto, em Sergipe, Guarulhos, em São Paulo, e Blumenau, em Santa Catarina.


Encontrou algum erro? Entre em contato