Justiça de Alagoas

TJ de Alagoas julga conflito entre advogados por honorários milionários

Julgamento ocorre nesta quinta-feira e envolve escritório representado por ex-presidente da OAB/AL
Bianca Amâncio
Tribunal de Justiça de Alagoas
Tribunal de Justiça de Alagoas

Um litígio envolvendo honorários advocatícios milionários entre dois conhecidos escritórios de advocacia de Alagoas deverá ser apreciado nesta quinta-feira, 10 de setembro, pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. A controvérsia envolve os escritórios Souza, Abreu & Costa – Advogados Associados e Barbosa & Lima – Advogados Associados.

O conflito tem origem em uma parceria profissional iniciada em 2015, destinada à atuação conjunta em demandas relacionadas ao pagamento de precatórios devidos por municípios alagoanos aos profissionais do magistério. O contrato também contou com a participação de um escritório de advocacia da Paraíba.

Segundo os termos ajustados entre os envolvidos, os honorários decorrentes das demandas seriam distribuídos da seguinte forma: 10% destinados ao escritório paraibano e outros 10% a serem divididos entre os dois escritórios alagoanos. A parceria teria transcorrido normalmente durante vários anos, com a celebração de acordos envolvendo cinco municípios alagoanos e a correspondente divisão dos honorários na forma estabelecida entre as partes.

A divergência surgiu quando foi concluído o acordo relacionado ao Município de Maceió.

Conforme sustenta o escritório Souza, Abreu & Costa, o Município de Maceió efetuou o pagamento dos honorários ao escritório da Paraíba e ao escritório Barbosa & Lima, cabendo a este último realizar o repasse da parcela correspondente ao parceiro alagoano, de acordo com os critérios anteriormente pactuados no contrato.

No entanto, no momento da divisão dos valores, teria surgido a divergência. De acordo com a versão apresentada pelo escritório Souza, Abreu & Costa, o escritório Barbosa & Lima teria proposto a redução do percentual anteriormente ajustado e apresentado despesas significativas próximas de R$ 1 milhão, as quais, segundo a parte que se considera prejudicada, não estavam previstas no contrato nem teriam sido previamente acordadas entre os parceiros. O impasse persiste há mais de um ano.

A disputa chegou ao conhecimento da OAB/Alagoas, tendo sido realizadas, segundo os envolvidos, quatro reuniões na tentativa de alcançar uma solução consensual. As tratativas, contudo, não resultaram em acordo.

O escritório Barbosa Advocacia esclareceu ao EXTRA que a questão apresentada ao Judiciário diz "respeito ao descumprimento de obrigações contratuais" que deveriam ter sido praticadas pelo escritório Souza, Abreu & Costa, cuja "inércia ocasionou expressivo prejuízo nos valores que seriam devidos". Informa, outrossim, que se trata de contenda exclusivamente privada, cabendo ao Judiciário decidir o litígio com tecnicidade e imparcialidade.

A diferença entre os valores defendidos pelas partes é expressiva. O escritório Souza, Abreu & Costa sustenta possuir créditos de honorários estimados entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões, enquanto a proposta de repasse apresentada pela outra parte teria sido de aproximadamente R$ 350 mil.

Sem composição amigável, a questão está no Poder Judiciário, e teve sentença favorável em 1ª instância, e agora está pautada para julgamento nesta quinta-feira, perante o Tribunal de Justiça de Alagoas, na 2ª Turma, que tem como presidente o Desembargador Carlos Cavalcanti de Albuquerque Filho.

NOTA

''O escritório Barbosa Advocacia vem esclarecer que a questão apresentada ao Judiciário diz respeito ao descumprimento de obrigações contratuais que deveriam ter sido praticadas pelo escritório Souza, Abreu & Costa, cuja inércia ocasionou expressivo prejuízo nos valores que seriam devidos. Informa, outrossim, que se trata de contenda exclusivamente privada, cabendo ao Judiciário decidir o litígio com tecnicidade e imparcialidade''.

Nivaldo Barbosa Júnior


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