JUSTIÇA
Rico Melquíades se retrata após ação do MPT por assédio eleitoral
Influenciador pediu desculpas a funcionárias domésticas nas redes sociais
O influenciador digital Rico Melquíades se retratou nas redes sociais após o Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) ajuizar uma ação civil pública por suposto assédio eleitoral contra funcionárias domésticas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele pediu desculpas aos trabalhadores e afirmou reconhecer que teve uma conduta inadequada.
A ação do MPT pede uma indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e o cumprimento de 18 obrigações. O processo tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió e ainda aguarda decisão sobre o pedido de tutela de urgência.
Segundo o Ministério Público, Rico teria coagido funcionárias em razão de divergências políticas, além de expor dados pessoais das trabalhadoras nas redes sociais. Na retratação, o influenciador se dirigiu aos trabalhadores e reconheceu a necessidade de se desculpar pela conduta apontada no caso.
De acordo com o MPT-AL, entre as condutas atribuídas ao influenciador estão a suposta vinculação de contratação, demissão, salário, folgas ou benefícios à preferência política ou ao voto das trabalhadoras.
O órgão também aponta a investigação da posição eleitoral de funcionárias por meio de redes sociais, grupos de mensagens ou registros públicos. Segundo o MPT, informações pessoais da equipe doméstica teriam sido expostas em situações constrangedoras para gerar engajamento, visualizações e lucro nas redes sociais.
O Ministério Público afirma ainda que Rico teria utilizado sistemas e ferramentas digitais para classificar ou monitorar funcionárias de acordo com suas opiniões políticas.
Entre os pedidos apresentados à Justiça está a garantia de que os trabalhadores possam votar livremente no primeiro e no segundo turno das eleições, com ajustes nas escalas de trabalho sem descontos salariais ou ameaças de represália.
O MPT também pede que o influenciador seja proibido de exigir alinhamento partidário ou obrigar funcionários a participar de atos de campanha política. Outro pedido é a exclusão, em até 24 horas após eventual decisão judicial, de publicações que contenham dados íntimos, humilhações ou exigências ideológicas relacionadas aos trabalhadores.
A ação também solicita que Rico publique uma retratação nas próprias redes sociais, com destaque semelhante ao das publicações originais, esclarecendo que a escolha política de um funcionário não pode ser utilizada como critério para contratação, manutenção ou dispensa do emprego. Segundo o pedido, o conteúdo deverá permanecer disponível e aberto a comentários.
Na ação, os procuradores afirmam que a conduta atribuída ao influenciador teria como objetivo "manipular, orientar ou direcionar o voto dos trabalhadores". O MPT aponta ainda constrangimento, exposição indevida da intimidade e possível discriminação em razão de convicções políticas.
O processo é assinado por quatro procuradores do Trabalho e aguarda análise da Justiça do Trabalho de Alagoas sobre o pedido de tutela de urgência.



