ENTENDA

Casal denuncia racismo após termo 'Cativeiro 01' aparecer em clínica em AL

Expressão foi exibida no painel durante atendimento de mulher negra na Ponta Verde
Reprodução
Termo “Cativeiro 01” apareceu no painel de clínica durante atendimento de mulher na Ponta Verde, em Maceió
Termo “Cativeiro 01” apareceu no painel de clínica durante atendimento de mulher na Ponta Verde, em Maceió

Um casal denunciou um episódio de racismo durante atendimento médico em uma clínica na Ponta Verde, em Maceió. O caso aconteceu na tarde de sexta-feira, 18, e foi registrado pela Polícia Militar após o termo “Cativeiro 01” aparecer no painel eletrônico da recepção como identificação da sala onde uma das pacientes seria atendida.

Rafael Gonzaga de Freitas, de 47 anos, e a esposa, de 48, são negros, nasceram no Rio de Janeiro e moram em Maceió há oito anos. Os dois são pessoas com deficiência e foram à clínica para uma consulta de reumatologia. Eles chegaram por volta das 13h30 para o atendimento marcado para 14h30 e informaram à recepção que precisavam de prioridade.

Segundo Rafael, o painel normalmente indicava os números dos consultórios, mas passou a exibir também expressões como “cafofo” e “sala vip”. Quando chegou a vez da esposa, o espaço destinado à identificação da sala mostrou o termo “Cativeiro 01”.


O boletim de ocorrência relata que o casal questionou a recepcionista sobre a expressão. Ela teria informado que não havia colocado o termo no painel e que não sabia quem era o responsável. Ainda conforme o registro, o médico que atenderia a mulher apareceu na recepção e afirmou que havia escrito “Cativeiro 01”, alegando que se tratava de uma brincadeira para descontrair.

A paciente relatou ter ficado nervosa, constrangida e abalada. Segundo o boletim, ela afirmou ao médico que aquilo não era uma brincadeira. O profissional então teria pedido desculpas e chamado a mulher para o consultório para realizar o atendimento.

O documento também registra que pessoas que estavam na recepção teriam relativizado a situação. Em seguida, um médico fisioterapeuta da clínica teria conversado com o casal e adotado uma postura de acolhimento diante do episódio.

O caso será investigado pela Polícia Civil de Alagoas. Rafael informou que já constituiu advogado e que pretende comparecer ao Complexo de Delegacias Especializadas (Code), em Maceió, na segunda-feira, 21, para prestar esclarecimentos e acompanhar a investigação.


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