Prevenção biológica
Rio Largo inicia produção de mosquitos capazes de eliminar vírus da dengue
Método Wolbachia impede que o vírus se desenvolva no Aedes aegypti, fazendo o controle biológico
O município de Rio Largo, na região Metropolitana de Maceió, iniciou a aplicação do método Wolbachia para reduzir casos de dengue e demais doenças transmitidas ao ser humano pelo mosquito Aedes aegypti. A novidade foi anunciada nas redes sociais pelo prefeito Carlos Gonçalves.
O método consiste em soltar ao ar livre mosquitos Aedes aegypti infectados pela bactéria Wolbachia, que elimina dentro do mosquito os vírus da dengue, Zika, Chikungunya e febre amarela urbana. Dessa forma, quando os mosquitos se reproduzem com seus pares normais, a bactéria é transmitida para eles e, ao longo do tempo, reduz a presença das doenças.
No Brasil, segundo o prefeito, apenas 60 municípios adotaram o método de controle biológico. Arapiraca iniciou a soltura dos insetos na última quarta-feira.
O prefeito Carlos Gonçalves não detalhou os locais de soltura dos mosquitos que carregam a bactéria, chamados Wolbitos, mas comemorou a adoção do método e disse que estava investindo na prevenção contra as arboviroses dengue, zika e chikungunya.
A Wolbachia é uma bactéria presente em cerca de 50% dos insetos, inclusive em alguns mosquitos. No entanto, não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti. Quando presente neste mosquito, a Wolbachia impede que os vírus se desenvolvam dentro dele, contribuindo para redução destas doenças.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde de Rio Largo, em parceria com o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), a Wolbito do Brasil e o World Mosquito Program (WMP).
Com o passar das gerações de mosquitos, a expectativa é que a bactéria se estabeleça na população local do inseto, contribuindo para diminuir a circulação das doenças e fortalecer as ações de combate às arboviroses no município.
No país, o Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, financiado pelo Ministério da Saúde, com apoio de governos locais.



