LEVANTAMENTO

Oito em cada dez pacientes chegam com desnutrição ao Hospital do Idoso

Dados revelam as condições dos pacientes admitidos para tratamento
Assessoria
No Hospital do Idoso de Alagoas, todo paciente passa por uma triagem nutricional já na admissão
No Hospital do Idoso de Alagoas, todo paciente passa por uma triagem nutricional já na admissão

Oito em cada dez pacientes admitidos no Hospital do Idoso de Alagoas (HIA), em Maceió, já chegam à unidade com algum grau de desnutrição. O dado foi identificado pelo Serviço de Nutrição a partir das avaliações feitas desde a inauguração do hospital, em 15 de setembro de 2026, no Tabuleiro dos Martins.

Segundo a nutricionista Marina Gischewski, 82% dos pacientes avaliados apresentaram desnutrição de estágio 1 (moderada) ou de estágio 2 (grave), conforme os Critérios GLIM (Global Leadership Initiative on Malnutrition) para diagnóstico de desnutrição. O levantamento também identificou que 41% dos pacientes receberam terapia nutricional enteral, modalidade de alimentação administrada por sonda.

O índice chama a atenção para as condições de saúde em que muitos idosos chegam ao hospital. Além das doenças que motivaram a internação, parte desses pacientes apresenta comprometimento nutricional importante, que pode dificultar a recuperação e aumentar o risco de complicações.

“Muitas vezes a família só percebe quando o idoso já está bastante fragilizado. A desnutrição não aparece de um dia para o outro. Vai se instalando aos poucos, na redução da alimentação, na dificuldade para mastigar, na prótese dentária que começa a incomodar, na perda de peso e na disposição que diminui”, explica Marina Gischewski.

Triagem nutricional

No HIA, todos os pacientes admitidos passam por triagem nutricional e recebem avaliação específica conforme suas necessidades. São consideradas as condições clínicas, a alimentação habitual, a capacidade de mastigar e engolir, a perda de massa muscular e as limitações funcionais.

A partir dessa avaliação, a equipe estabelece as intervenções mais adequadas, que podem incluir adaptações na consistência dos alimentos, ajustes na oferta de nutrientes, suplementos nutricionais orais e, quando necessário, alimentação por sonda ou nutrição parenteral.

Para o diretor médico do HIA, José Carlos Malafaia Ferreira, a avaliação nutricional precisa estar integrada às demais condutas assistenciais. “A desnutrição interfere na resposta do organismo às doenças e aos tratamentos. Um idoso desnutrido pode ter mais dificuldade para superar uma infecção, recuperar-se de uma cirurgia ou participar de um processo de reabilitação. Por isso, precisamos identificar o problema, compreender suas causas e avaliar o que cada paciente necessita para ter uma resposta melhor ao tratamento”, explicou o médico.

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