APERTO NO BOLSO
Aumento de preço dos combustíveis deve chegar ao consumidor até hoje

Depois de quatro acréscimos seguidos no valor do combustível neste ano, promovidos pela Petrobras, governadores vêm sendo pressionados a reduzir o valor do ICMS cobrado sobre a gasolina, o álcool e o diesel como forma de ajudar a reduzir o preço que chega ao consumidor.
Economistas ouvidos pelo Metrópoles dizem, contudo, que dificilmente os estados conseguirão abrir mão dessa receita por estarem no limite da capacidade de endividamento.
O último reajuste foi anunciado na quinta-feira (18). A gasolina será vendida para as distribuidoras por R$ 2,48 e diesel por R$ 2,58, após aplicação de reajustes de R$ 0,23 e de R$ 0,34 por litro, respectivamente.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), Paulo Tavares, afirmou ao Metrópoles que os postos vão repassar todos os reajustes. “Até sábado (20) o consumidor vai sentir no bolso o aumento da gasolina, que deve variar entre R$ 0,30 e R$ 0,40. Não dá para absorver esse custo no valor do lucro. É muito alto”, disse.
O economista-chefe da Nécton, André Perfeito, afirmou que os estados não têm como adotar medias para atenuar o impacto do novo reajuste. “A capacidade dos governos em reduzir tributo agora é quase zero. Estados como São Paulo, por exemplo, estão até tentando aumentar o ICMS. Numa situação que nem essa, por conta da austeridade fiscal, a leitura é de que não se deve abrir mão de receita agora”, afirmou ao Metrópoles.
Reforma tributária
Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management, foi além e disse que sempre que há aumento de preços, há de impostos também, segundo a fórmula econômica. “A solução seria a reforma tributária, mas no caso atual, o espaço geral pra cortar é pequeno dada a crise”, afirmou.
Na semana passada, o governo enviou para o Congresso projeto que institui o ICMS fixo sobre combustíveis. Hoje, cada estado cobra o valor que quiser. Pelo texto, o valor único seria decidido em conjunto pelos governadores.