Saúde

Bacon e salsicha são tão perigosos quanto cigarro? Veja o que dizem estudos

Pesquisas francesas reforçam alerta da OMS sobre carnes processadas
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 16/01/2026 - 19:26
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Reprodução
O bacon e o tabaco estão presentes no grupo 1 de carcinogênicos da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da OMS
O bacon e o tabaco estão presentes no grupo 1 de carcinogênicos da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da OMS

Estudos recentes conduzidos por pesquisadores franceses reacenderam o debate sobre os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde. Publicadas nas revistas científicas BMJ e Nature Communications, as pesquisas indicam que produtos como presunto, bacon, linguiça e salsicha estão associados a um aumento significativo no risco de câncer e de outras doenças crônicas silenciosas.

Os dados reforçam alertas já feitos por organismos internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as carnes processadas como carcinogênicas para humanos (Grupo 1), a mesma categoria que inclui substâncias como tabaco, álcool, poluição do ar e radiação ultravioleta. A classificação é baseada no nível de evidência científica da relação com o câncer, e não no grau de risco absoluto.

A presença desses alimentos no cotidiano da população brasileira amplia a relevância do alerta. Presunto, bacon e salsicha são itens frequentes em cafés da manhã, lanches rápidos e refeições diárias. Segundo a OMS, isso não significa que o consumo desses produtos ofereça o mesmo risco que fumar, mas que a ligação com o desenvolvimento de câncer é cientificamente comprovada.

As pesquisas francesas apontam que o consumo diário de ultraprocessados pode elevar em até 47% o risco de diabetes tipo 2 e em até 32% a incidência de alguns tipos de câncer, especialmente o câncer colorretal, além de tumores do sistema digestivo.

Entenda a classificação

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à OMS, inclui as carnes processadas no Grupo 1 de carcinogênicos por conterem substâncias como nitritos, nitratos e nitrosaminas, compostos capazes de provocar danos ao DNA das células.

Em entrevista ao Correio Braziliense, a oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gabrielle Scattolin, explicou que a classificação leva em conta a evidência da relação com a doença, e não a intensidade do risco. “O risco absoluto do tabagismo é muito maior do que o do consumo de carnes embutidas”, esclareceu.

Ainda assim, ela alerta que o consumo frequente desses alimentos deve ser evitado. “Além do efeito direto, os ultraprocessados acabam substituindo alimentos protetores, como frutas, vegetais, fibras e compostos antioxidantes, que ajudam a proteger as células”, concluiu.


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