Quadro irreversível

Servidora entra para cirurgia simples e fica em estado vegetativo em PE

Família aponta negligência médica e denuncia equipe ao Cremepe
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 29/01/2026 - 20:24
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Reprodução
Segundo familiares, uma sucessão de erros levou Camila Nogueira a um quadro neurológico irreversível
Segundo familiares, uma sucessão de erros levou Camila Nogueira a um quadro neurológico irreversível

Uma cirurgia considerada de baixo risco mudou de forma irreversível a vida da servidora pública e consultora de moda Camila Nogueira, de 38 anos, funcionária do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Desde 27 de agosto de 2025, quando passou por um procedimento para retirada da vesícula e correção de hérnia em um hospital do Recife, Camila depende integralmente de cuidados de terceiros.

Segundo familiares, ela deu entrada na unidade hospitalar consciente e caminhando, sem histórico de doenças preexistentes. Durante o procedimento, no entanto, teria sofrido uma parada cardiorrespiratória, evoluindo para danos cerebrais irreversíveis. Atualmente, encontra-se acamada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), alternando entre estado neurovegetativo e minimamente consciente.

O marido, Paulo Menezes, relata que a esposa perdeu completamente a autonomia. “Ela não consegue se alimentar, tomar banho ou se locomover sozinha. Se ficar sem assistência por 24 horas, não sobrevive”, afirmou.

Segundo o advogado da família, Paulo Maia, Camila apresentava episódios de apneia durante a cirurgia, que teriam sido ignorados pela equipe médica. A representação enviada ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) aponta falhas na condução do procedimento, incluindo atraso no início da cirurgia, troca da anestesista e ausência de anamnese adequada.

Ainda segundo a denúncia, os alarmes dos equipamentos teriam sido desconsiderados por mais de um minuto, enquanto a paciente permanecia em sofrimento respiratório por cerca de 15 minutos. A parada cardiorrespiratória teria ocorrido às 11h16, mas só foi identificada pela equipe dois minutos depois. A reanimação, conforme o documento, ocorreu apenas às 11h33, quando as sequelas neurológicas já eram irreversíveis.

A família atribui o ocorrido à negligência médica e solicitou ao Cremepe o afastamento e a cassação do registro profissional das três médicas envolvidas: a anestesista Mariana Parahyba e as cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti. As acusações apontam diferentes graus de responsabilidade, incluindo erro técnico, omissão e falhas no cumprimento de protocolos básicos de segurança.

O pai de Camila, Roberto Wanderley Nogueira, desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, afirmou que a família decidiu tornar o caso público para evitar que situações semelhantes se repitam. “Episódios evitáveis como esse não podem acontecer com mais ninguém”, declarou.

Procurado, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco informou que as denúncias e sindicâncias tramitam sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional. 


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