Agência Brasil
Senado aprova pautas-bomba que vão impactar as contas da União
O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o projeto de Lei (PL) 5122/23, que autoriza o uso do Fundo Social (FS) do Pré-Sal na renegociação de dívidas de grandes empresas do agronegócio. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incluiu o item na pauta de votações do plenário nesta quarta-feira, apesar dos apelos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os impactos da medida.
A proposta é rechaçada pela equipe econômica do governo Lula, que a considera uma pauta-bomba e calcula um impacto sobre as contas públicas da ordem de R$ 817 bilhões nos próximos 13 anos. Os benefícios serão para grandes empresas do agronegócio atingidas por eventos climáticos extremos ou prejudicadas por impactos econômicos decorrentes de conflitos internacionais.
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Alcolumbre deixou claro que estava ignorando os argumentos do governo sobre o impacto nas contas públicas. “O ministro [da Fazenda Dario Durigan] me informou que o texto relatado pelo senador Renan Calheiros não tem o acordo, o entendimento e o apoio do governo. Porém, todavia, entretanto, eu fiz um compromisso público, aguardando alguns meses a deliberação desse assunto no Senado. Não há um acordo com o governo, mas vou deliberar hoje o relatório aprovado pela CAE”, disse.
Como a proposta sofreu alterações no Senado, o texto volta para a Câmara dos Deputados, onde deve passar por nova votação antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Podem ter acesso à renegociação de dívidas produtores rurais que tenham sofrido prejuízos causados por eventos climáticos como enchentes, secas, granizo, geadas e vendavais, ou decorrentes de queda nos preços de comercialização dos produtos agropecuários, em função de conflitos internacionais.
Os ruralistas precisam comprovar, por meio de laudo técnico, perdas de pelo menos 30% da renda bruta esperada em duas ou mais safras entre os anos de 2019 e 2025.
Utilização de fundos
O projeto prevê a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, com taxas de juros que variam conforme o porte do produtor rural e limite de R$ 10 milhões por beneficiário ouR$ 50 milhões para associações e cooperativas, com prazo de pagamento de 10 anos, com 3 anos de carência.
O projeto também prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO) e do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). O limite global da operação será definido pelo Executivo.
Além do benefício ao agro, Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou um projeto de lei que aumenta o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas, com jornada de 20 horas semanais, para R$ 13,6 mil. O governo Lula estima um impacto de R$ 47 bilhões por ano.
Na parte da manhã, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central. O texto é visto com temor por economistas, que temem maior descontrole na política de juros.
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