Política

Investigação mostra ex-assessora de Lira atuando por emendas de Valdemar

Site diz que Mariângela Fialek direcionava recursos enviados por deputados a seus redutos
Câmara dos Deputados
Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira, foi responsável pela organização e encaminhamento das emendas do orçamento secreto
Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira, foi responsável pela organização e encaminhamento das emendas do orçamento secreto

Mensagens capturadas pela Polícia Federal sugerem que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, influenciou a destinação de emendas parlamentares, mesmo sem ter sido eleito para o Congresso. Investigação aponta o envolvimento de ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, segundo informação do UOL.

Costa Neto é investigado por suposta indicação irregular de emendas parlamentares. Em decisão que bloqueou bens do dirigente do partido, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou mensagens trocadas por servidores da Câmara. Dino solicitou bloqueio de até R$ 119 milhões de bens do presidente do Partido Liberal (PL) por suspeitas de que ele tenha desviado a destinação de 21 emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo. 

Segundo a investigação da Polícia Federal, o dirigente teria utilizado servidores da Câmara dos Deputados para direcionar a ele mesmo recursos do orçamento secreto. A ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) Mariângela Fialek é uma das interlocutoras das conversas.

Tuca, como é conhecida, é investigada no mesmo no mesmo inquérito e foi alvo de buscas no fim do ano passado. Garigham Amarante seria interlocutor de Valdemar com Fialek, segundo o site.

Homem de confiança do presidente do PL, Garigham "não apenas transmite recados e demandas, mas participa ativamente da negociação dos valores globais das indicações, das áreas prioritárias e do momento oportuno para sua formalização", segundo a Polícia Federal.

O assessor do PL escreveu para Mariângela Fialek em 25 de agosto do ano passado. "Marquei com o Valdemar amanhã, 10:30", disse Garigham. "Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?" 

Em seguida, Fialek pede calma e quanto repassaria. Em resposta, o servidor do partido fala: "Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismos". Horas depois, o servidor procura Fialek e diz que "Voltei do VCN". Manda, em seguida, uma mensagem temporária e "envia uma aparente lista, contendo municípios, o CNPJ correspondente, boa parte acompanhada do nome Turismo", diz a investigação. 

A assessoria do Partido Liberal e a defesa de Mariângela Fialek foram procurados pelo site, que aguarda um retorno. Garigham Amarante disse que é um técnico e não tem o que comentar.

Segundo a PF, Fialek "seria a responsável pela organização e encaminhamento das emendas do que se convencionou chamar de orçamento secreto". Os investigadores destacaram que a extração e análise de dados do telefone dela "indicam a existência de um arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas", no qual Costa Neto, sem mandato, "aparece como vetor de definição e remanejamento de emendas".

Quem é Tuca?

Apontada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), como responsável por atuar em favor do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na indicação de emendas parlamentares, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, chegou a ser alvo de buscas da Polícia Federal em dezembro do ano passado. A operação apurava suspeitas de direcionamento indevido de recursos enviados pelos deputados a seus redutos eleitorais.

Servidora da Câmara, Fialek tinha um raro status em Brasília: era tratada como chefe de Poder em reuniões na Esplanada dos Ministérios.

Requisitada, a ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL) teve a chave do orçamento secreto e foi alvo de operação da Polícia Federal (PF), em dezembro do ano passado, após ser acusada de trabalhar “sem preocupação” ou “interesse republicano” para o encaminhamento de emendas de comissão, um novo flanco de investigação sobre o mau uso de verbas por congressistas.

Funcionária importante também para a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB), Tuca dizia a pessoas próximas que tinha registro de tudo o que fazia, desde conversas presenciais até ligações e anotações do dia a dia.


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