Política

Mendonça deixa Instituto Iter, após revelação de contratos sem licitação

Instituto faturou mais de R$ 10,8 milhões em contratos públicos irregulares, segundo revista
STF
André Mendonça, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
André Mendonça, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)

Após uma sequência de revelações sobre contratos firmados sem licitação com órgãos públicos pelo instituto do qual é sócio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu deixar a entidade. A informação foi dada em nota, divulgada nesta quinta-feira (3).

A última notícia foi publicada na Revista Fórum, em matéria do jornalista Plínio Teodoro. Segundo a reportagem, o Instituto Iter, fundado por Mendonça, acumulou ao menos R$ 10,8 milhões em contratos com órgãos públicos desde que iniciou suas atividades, em novembro de 2023.

Segundo a revista, foram identificados 55 contratos e instrumentos de contratação pública, dos quais 54, o equivalente a 98,2%, foram firmados sem licitação prévia. A maior parte ocorreu por inexigibilidade, mecanismo previsto em lei para situações em que a competição entre fornecedores é considerada inviável.

Dos contratos mapeados, 42 foram realizados por inexigibilidade, três por dispensa e nove aparecem classificados como contratação direta. Apenas um, no valor de R$ 390 mil, foi firmado por meio de pregão.

Poucas horas depois de a Fórum publicar a reportagem, Mendonça anunciou que ele e sua mulher deixarão a sociedade do instituto, que se tornará “entidade sem fins lucrativos”.

“O ministro André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, cedendo a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira”, diz o texto. “As cotas, e eventuais valores a elas correspondentes, permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais, conforme o ministro já havia decidido e anunciado no início deste ano”.

A nota informa que o Iter foi criado em 2024 e que “o ministro jamais auferiu lucro do instituto”.

“A decisão foi tomada em 2 de setembro de 2026, quando o ministro, em conversa com o presidente do Instituto, Victor Godoy, orientou que se tomassem as providências necessárias nos termos aqui descritos”, continua a nota. “Nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor”.

Mendonça não informou os motivos que o levaram a tomar essa decisão.

A Revista Fórum afirma ter realizado o levantamento a partir de informações disponíveis no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), além de portais de transparência estaduais e municipais, contratos e diários oficiais.


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