Decisão

Gilmar propõe a Fachin proibir delegados da PF em gabinetes do STF

Proposta foi apresentada durante uma conversa entre os dois ministros
Agência Brasil
Gilmar Mendes
Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), propôs ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal (PF) sejam proibidos de atuar nos gabinetes dos ministros como servidores cedidos.

A proposta foi apresentada durante uma conversa entre os dois ministros nesta quinta-feira, 3, em meio à crise envolvendo o STF e a Polícia Federal. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela reportagem.

Atualmente, dois delegados da PF atuam no gabinete de André Mendonça, relator de casos como as investigações envolvendo o Banco Master e fraudes no INSS. Outros dois assessoram Alexandre de Moraes, enquanto Luiz Fux conta com um delegado.

Críticas aos delegados nos gabinetes

Uma das críticas à presença de delegados da PF nos gabinetes é a possibilidade de interferência no andamento das investigações. A supervisão dos inquéritos cabe aos ministros do Supremo.

Segundo interlocutores, Gilmar afirmou que os gabinetes da Corte estariam se transformando em “delegacias de polícia”, com decisões sobre investigações sendo tomadas pelo tribunal em vez da própria Polícia Federal.

A permanência dos delegados também esteve no centro do embate entre André Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Interlocutores de Mendonça avaliaram que a tentativa de retirar policiais de seu gabinete poderia interferir nas investigações em andamento.

A discussão ocorre em meio à crise envolvendo o Banco Master e a troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que aponta Moraes como destinatário das mensagens enviadas por Vorcaro. O ministro deve levar o documento ao plenário físico do STF para que os integrantes da Corte decidam se deve ser aberta uma investigação.


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