INVESTIGAÇÃO

Suspeito de ligação com PCC, ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia

Ex-vereador estava foragido desde operação que investiga infiltração criminosa no transporte
Reprodução/TV Globo
Milton Leite se entregou à polícia nesta sexta-feira, 18, em Mogi das Cruzes, São Paulo
Milton Leite se entregou à polícia nesta sexta-feira, 18, em Mogi das Cruzes, São Paulo

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira, 18, em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele era alvo de um mandado de prisão temporária expedido durante a Operação Vectura Corrupta, realizada na quinta-feira, 17.

Milton estava fora do alcance das autoridades e havia afirmado que estava viajando e que retornaria para provar sua inocência. Ele se apresentou acompanhado de um advogado e, segundo a TV Globo, será ouvido antes de ser levado para a cadeia pública de Mogi das Cruzes. A prisão temporária tem duração de 30 dias.

A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Gaeco, apura a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo e possíveis relações da facção com empresários, políticos e advogados.


Segundo relatório policial anexado ao processo, Milton Leite é apontado como responsável direto pela operação de empresas que estariam sob controle do PCC. O documento também reúne declarações de policiais militares que indicariam o ex-vereador como “dono de fato” da Transwolff, empresa investigada anteriormente na Operação Fim da Linha.

A investigação ainda cita uma possível relação de uma empreiteira ligada a Leite com contratos de empresas de transporte investigadas por ligação com a facção. O documento, porém, não identifica a empresa nem detalha os contratos mencionados.

A polícia também suspeita que Milton tenha forte influência no setor de transportes e integra uma lista de pessoas que, segundo os investigadores, teriam relação com o esquema.

Defesa nega envolvimento


A Transwolff afirma que Milton Leite nunca teve participação societária na empresa, não participou da gestão e nunca deu ordens. A defesa considera as acusações equivocadas e afirma que elas não correspondem à realidade.

As investigações que resultaram na Operação Vectura Corrupta são desdobramentos de apurações iniciadas em 2024, quando a Operação Decurio investigou a estrutura financeira do PCC após a apreensão de drogas em Itaquaquecetuba. A apuração também levou à descoberta de uma fintech que, segundo os investigadores, teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões.

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