Política

Itamaraty convoca diplomata argentina para esclarecer fuga de Flávio

Objetivo é apurar atuação de integrantes do governo Milei na saída do senador para os EUA
Tomaz Silva/Agência Brasil
O presidente da Argentina, Javier Milei
O presidente da Argentina, Javier Milei

O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina em Brasília, Emilia Cortés, para solicitar esclarecimentos sobre o possível envolvimento do governo de Javier Milei na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. O parlamentar teria utilizado o território argentino como parte do trajeto para deixar o Brasil.

Segundo informações da jornalista Janaína Figueiredo, em sua coluna no UOL, publicadas nesta sexta-feira (30), a convocação ocorreu na tarde de quinta-feira (29) e foi confirmada por fontes diplomáticas. O governo brasileiro busca esclarecer a participação de integrantes da administração argentina na operação que teria permitido a saída do senador do país.

A representante argentina foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, responsável pelo Departamento de Mercosul do Itamaraty. A reunião durou poucos minutos e teve como objetivo solicitar informações sobre as circunstâncias da fuga e o possível envolvimento de autoridades ligadas à Casa Rosada.

A decisão de convocar Cortés foi tomada após uma avaliação interna do governo brasileiro sobre as informações divulgadas a respeito da participação de integrantes do governo Milei no episódio.

Um dos principais pontos que despertaram a atenção da diplomacia brasileira foi a atuação atribuída a Santiago Caputo, um dos assessores mais influentes do presidente argentino.

De acordo com informações confirmadas pelo UOL na quarta-feira (28), Caputo teria desempenhado um papel central na organização da fuga de Flávio Bolsonaro. O assessor esteve na região da Tríplice Fronteira, especialmente nas cidades de Puerto Iguazú, na Argentina, e Foz do Iguaçu, no Brasil.

Segundo a apuração, Caputo teria acompanhado pessoalmente a execução do plano, atuando na região para assegurar que o deslocamento do senador fosse concluído conforme o planejado.

A presença de um integrante do círculo mais próximo de Milei na área por onde Flávio teria passado levou o governo brasileiro a buscar explicações formais da representação diplomática argentina.

O episódio acrescenta um novo elemento às tensões entre Brasília e Buenos Aires, uma vez que envolve suspeitas de participação de integrantes de um governo estrangeiro na saída do território brasileiro de um parlamentar envolvido em uma crise política.

Governo Lula evita confronto diplomático com a Argentina

Apesar da gravidade das informações, a orientação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é tratar o episódio com discrição e evitar uma escalada das tensões diplomáticas.

A escolha de um encontro com o chefe do Departamento de Mercosul, em vez de uma reunião com a cúpula do Ministério das Relações Exteriores, reflete essa estratégia.

Segundo uma fonte diplomática ouvida pelo UOL, a intenção é não transformar o episódio em um “Fla-Flu” entre os dois países. A convocação da encarregada de negócios foi considerada uma medida protocolar, utilizada para solicitar esclarecimentos sem necessariamente desencadear uma crise bilateral de maiores proporções.

Por essa razão, o Itamaraty optou por uma iniciativa de baixo perfil, sem manifestações públicas de autoridades de primeiro escalão ou divulgação de comunicados oficiais sobre a reunião.

O Palácio do Planalto também não se pronunciou oficialmente sobre as informações envolvendo a suposta participação de integrantes do governo argentino na fuga de Flávio Bolsonaro.


Encontrou algum erro? Entre em contato